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agosto 30, 2026 19:39

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Estado tem 509 bombeiros militares e taxa de 0,2 por mil habitantes, a menor do Brasil ao lado de Ceará, Maranhão e Pernambuco. Em área por profissional, o Piauí é o quarto pior do país

Jornalista Trabulo Neto (registro 0002880/PI)

O Corpo de Bombeiros Militar do Piauí tinha 509 profissionais na ativa em março de 2025. É o segundo menor efetivo de bombeiros do Brasil, atrás apenas de Roraima, que tem 503. O dado consta da 2ª edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 4 de agosto de 2026.

Em proporção à população, o Piauí registra 0,2 bombeiro militar por mil habitantes. É a menor taxa do país, compartilhada com outros três estados nordestinos: Ceará, Maranhão e Pernambuco. A média nacional é de 0,3.

No extremo oposto está o Distrito Federal, com 1,9 bombeiro por mil habitantes, taxa mais de seis vezes superior à média nacional, seguido pelo Amapá, com 1,7.

O número que pesa mais é o do território

O indicador mais duro para o Piauí não é o populacional. É o territorial.

Cada bombeiro militar piauiense responde, em média, por 495 quilômetros quadrados de território. A média brasileira é de 135 quilômetros quadrados por bombeiro. Só três estados estão em situação pior que a do Piauí: Amazonas, com 1.168 quilômetros quadrados por bombeiro, Mato Grosso, com 610, e Pará, empatado com o Piauí em 495.

Para efeito de comparação dentro do próprio Piauí, cada policial militar do estado cobre 36 quilômetros quadrados e cada policial civil cobre 154. O bombeiro cobre 495.

O estudo explica por que essa medida importa mais no caso dos bombeiros do que no das polícias. O serviço de bombeiro opera pela lógica do tempo de resposta. Cada minuto a mais entre a chamada e a chegada da equipe significa maior risco de morte em ocorrência cardíaca, maior perda de patrimônio em incêndio, menor chance de resgate em soterramento e afogamento e maior letalidade em acidente de trânsito.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública descreve o resultado desse desenho em estados de grande extensão territorial e baixa densidade populacional. Segundo o levantamento, nessas unidades da federação a resposta a emergências em áreas do interior é, na prática, inviabilizada pelas próprias dimensões geográficas que cada profissional precisaria cobrir. O estudo afirma que o país convive com dois sistemas de bombeiros radicalmente distintos em capacidade de resposta territorial, e que em parte do Norte e do Centro-Oeste o serviço se torna uma promessa institucional sem materialidade prática para a maior parte da população do interior.

O que o bombeiro faz além de apagar fogo

O trabalho do Corpo de Bombeiros Militar vai muito além do combate a incêndio. O estudo lista atendimento pré-hospitalar de urgência, salvamento aquático, resgate em altura, busca e salvamento em estruturas que desabaram, atendimento a desastres naturais, fiscalização preventiva de edificações, defesa civil e resposta a eventos climáticos extremos.

O levantamento classifica o subdimensionamento dos Corpos de Bombeiros brasileiros não apenas como questão de eficiência administrativa, mas como vulnerabilidade estratégica nacional, que tende a se agravar à medida que as mudanças climáticas tornam mais frequentes e mais severos os eventos que exigem atuação dessas corporações.

Como está distribuído o efetivo piauiense

O Raio-X detalha a composição por patente do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí em março de 2025: 202 soldados, 46 cabos, 50 sargentos, 62 subtenentes, 80 tenentes, 39 capitães, 9 majores, 13 tenentes-coronéis, 6 coronéis e 2 aspirantes a oficial e alunos.

Vale um registro. No plano nacional, o estudo aponta uma inversão da pirâmide hierárquica nos Corpos de Bombeiros, com 20.129 sargentos para 14.615 soldados, e identifica essa distorção em 17 unidades da federação. O Piauí não está entre elas. A base da corporação piauiense continua sendo a graduação de soldado.

É avaliação desta redação que o problema do Corpo de Bombeiros do Piauí, diferente do que ocorre na Polícia Militar do estado, não é de desenho de carreira. É de tamanho. São 509 profissionais para cobrir todo o território estadual, e o estudo não mede quantos deles estão em atividade operacional e quantos estão em funções administrativas.

OUTRO LADO

A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas.

Foram procurados o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Piauí e a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, para que se manifestem sobre o efetivo atual da corporação, sobre a distribuição das unidades de bombeiros pelo território estadual, sobre o número de municípios piauienses com unidade de bombeiro instalada, sobre o efetivo previsto em lei para a corporação e sobre eventual calendário de concurso público para reposição de quadros.

As respostas serão publicadas na íntegra, sem cortes e sem edição.

Contato para manifestações: consultor@xconexoes.com.br

FISCALIZAÇÃO

A Rádio Calçada solicita ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí e ao Ministério Público de Contas do Piauí informação sobre auditorias relativas à estrutura, ao efetivo e à cobertura territorial do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Piauí.

FONTE

Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil”, 2ª edição, São Paulo, 2026. ISBN 978-65-89596-54-7. Dados de efetivo com posição de março de 2025. Tabelas 2, 6, 7 e 9, e Mapa 2. Publicação disponível em publicacoes.forumseguranca.org.br/handle/fbsp/415


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