MP abre inquérito para apurar falta de equipamentos e de condições técnicas no Núcleo Regional de Polícia Científica de Campo Maior e cobra da Secretaria de Segurança o orçamento destinado à unidade de 2024 a 2026.
O Ministério Público do Piauí instaurou inquérito civil para apurar a possível insuficiência estrutural, material e operacional do Núcleo Regional de Polícia Científica de Campo Maior. A investigação também vai identificar eventuais omissões do Estado do Piauí e as providências necessárias para regularizar o serviço.
A decisão está na Portaria nº 086/2026 da 3ª Promotoria de Justiça de Campo Maior, assinada pelo promotor Maurício Gomes de Souza (SIMP nº 000010-063/2026). Ela foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público do Piauí, edição nº 2124, disponibilizada em 23 de outubro de 2026 (páginas 72 e 73).
A Polícia Científica é quem faz as perícias: examina o local do crime, analisa armas e projéteis, identifica drogas apreendidas e verifica se um veículo foi adulterado. Sem perícia, inquéritos policiais e processos ficam sem prova técnica.
O que o MP quer saber
A portaria lista como foco os equipamentos usados em perícias externas, balística forense, laboratório de drogas e identificação veicular. O MP quer saber a quantidade, o estado de conservação e se esses equipamentos são adequados.
À Secretaria de Estado da Segurança Pública, a promotoria pede, em 20 dias:
- a estrutura atual do núcleo;
- os recursos previstos, empenhados, liquidados e pagos para a unidade em 2024, 2025 e 2026;
- as compras de equipamentos feitas nos últimos três anos;
- o planejamento, com cronograma e custos, para comprar o que falta;
- os pedidos de equipamentos e reformas feitos pela unidade e ainda não atendidos.
Empenhado, liquidado e pago são as três etapas do gasto público: o governo reserva o dinheiro, confirma que o serviço foi entregue e, por fim, paga.
À direção da Polícia Científica, o MP pede o inventário dos equipamentos, a lista do que é necessário, a quantidade de exames pedidos e realizados de 2024 a 2026 e os exames atrasados ou enviados para outras unidades por falta de condições. A promotoria também prevê uma visita de inspeção à sede do núcleo, com registro fotográfico.
Uruçuí também está sob acompanhamento
Na mesma edição (página 9), o Conselho Superior do MP homologou o arquivamento de um inquérito da 1ª Promotoria de Justiça de Uruçuí sobre a implantação do Núcleo Regional de Polícia Técnico-Científica daquela cidade, criado pela Portaria Normativa nº 32/2021 da Polícia Civil (SIMP nº 000256-205/2023). O caso não foi encerrado: a fiscalização da implantação e da estruturação do núcleo continua no Procedimento Administrativo nº 000198-205/2026.
A abertura do inquérito de Campo Maior não significa que houve irregularidade. O MP avalia, ao final, recomendar providências, propor um acordo com o Estado ou ir à Justiça.
É avaliação desta redação que perícia lenta ou feita sem equipamento adequado enfraquece a investigação de crimes no interior e pesa sobre vítimas e acusados.
OUTRO LADO
A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas: a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Piauí e a direção da Polícia Científica do Piauí. As respostas serão publicadas na íntegra. O contato é redacao@radiocalcada.com.br.
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