O Grupo Chavantes, que administrou o hospital até março, afirma que credores da sua gestão seguem sem receber, enquanto a nova gestora recebeu R$ 4 milhões em um único dia
O Grupo Chavantes, que administrou o Hospital Regional de Campo Maior (HRCM) até março de 2026, afirma que a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI) assumiu as dívidas com fornecedores da sua gestão e, até agora, não pagou nem analisou esses valores.
A afirmação está em nota enviada à Rádio Calçada nesta sexta-feira (23). O grupo respondeu à reportagem “Como a Caminho de Damasco chegou ao Hospital Regional de Campo Maior com um contrato de R$ 73,5 milhões?”, publicada nesta semana.
O que o grupo afirma sobre as dívidas
Segundo a nota, quando a Santa Casa de Misericórdia de Chavantes deixou o hospital, houve um processo de transição com o Estado. Nesse acordo, de acordo com o grupo, a SESAPI passou a ser responsável por pagar fornecedores, prestadores de serviço e profissionais que trabalharam para o hospital durante a gestão anterior.
O grupo afirma que, até 23 de outubro de 2026, esses valores não foram pagos nem sequer analisados pela Secretaria. Diz também que nem a lista de credores publicada pela própria SESAPI no diário oficial foi quitada, e que esse documento não informa prazo, ordem ou critério para pagar os demais.
A entidade afirma que não recebeu nenhuma informação sobre cronograma ou previsão de pagamento e que seus pedidos formais à Secretaria ficam sem resposta. Segundo o grupo, enquanto isso, a Santa Casa continua sendo citada em processos de cobrança por dívidas que, na versão da entidade, o Estado declarou que assumiria.
A comparação com a nova gestora
A nota compara essa situação com os pagamentos feitos à Sociedade Brasileira Caminho de Damasco, organização social que hoje administra o hospital.
Como a Rádio Calçada mostrou, a SESAPI empenhou, liquidou e pagou R$ 4.000.000,00 à Caminho de Damasco no mesmo dia, 21 de outubro de 2026 (nota de empenho 2026NE30567). Em linguagem simples: no mesmo dia, o governo reservou o dinheiro, atestou que o serviço foi prestado e transferiu o valor. O repasse faz parte do Contrato de Gestão 18/2026, de R$ 73.487.715,36, com vigência de 1º de abril de 2026 a 1º de abril de 2027.
Para o Grupo Chavantes, os repasses à nova gestora estão em dia, enquanto os credores da gestão anterior nada receberam. O grupo diz que a observação não é uma crítica à Caminho de Damasco. Segundo a nota, a conclusão é que “o Estado paga quando decide pagar” e que o que falta é critério, transparência e resposta.
O que o grupo diz sobre a própria gestão
O Grupo Chavantes afirma que chegou ao hospital por meio de seleção pública feita pela SESAPI, o Chamamento Público nº 02/2023 (Processo nº 00012.016863/2023-64). Segundo a entidade, a seleção resultou no Contrato de Gestão nº 34/2023. O grupo diz que não houve contratação direta, dispensa ou inexigibilidade, ou seja, que não houve contratação sem disputa.
A entidade também afirma que cumpriu o contrato em volume de atendimentos e qualidade e que levou o hospital a um processo de certificação da ONA (Organização Nacional de Acreditação), entidade que avalia a qualidade de serviços de saúde.
O grupo informa que pode apresentar os documentos do chamamento, do contrato e a lista completa dos créditos que, segundo ele, continuam pendentes.
Outro lado
A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas:
- Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI): sobre a afirmação de que assumiu as dívidas da gestão anterior do HRCM e não as pagou; sobre a existência de prazo, ordem e critério para pagar os credores listados no diário oficial; e sobre os pedidos formais que o Grupo Chavantes diz não terem sido respondidos.
- Sociedade Brasileira Caminho de Damasco: caso queira se manifestar sobre as afirmações da nota.
As respostas serão publicadas na íntegra. Contato: redacao@radiocalcada.com.br
A íntegra da nota do Grupo Chavantes está publicada na atualização da reportagem original.
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