Promotorias de Teresina e Floriano apuram patrocínios da Secretaria dos Esportes ao Instituto Motivação e à Fourlive Streaming e recursos repassados à Associação Atlética Corisabbá. As duas investigações ganharam mais um ano de prazo.
A Secretaria de Estado dos Esportes do Piauí (SECEPI) é alvo de dois inquéritos civis do Ministério Público do Piauí que investigam possíveis atos de improbidade administrativa. Os dois tiveram o prazo prorrogado por 365 dias, decisão confirmada pelo Conselho Superior do Ministério Público na 1430ª sessão ordinária, realizada em 30 de setembro de 2026.
A ata da sessão foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público do Piauí, edição nº 2124, disponibilizada em 23 de outubro de 2026 (páginas 6 e 15).
Patrocínios ao Instituto Motivação e à Fourlive Streaming
O primeiro inquérito está na 35ª Promotoria de Justiça de Teresina, sob a responsabilidade da promotora Denise Costa Aguiar (SIMP nº 000078-344/2024). Segundo a ata, o objetivo é apurar supostas irregularidades em contratos de patrocínio celebrados pela SECEPI com o Instituto Motivação e com a empresa Fourlive Streaming.
Patrocínio, neste caso, é quando o governo paga para ter sua marca associada a um evento, programa ou transmissão. É diferente de uma compra comum e, por isso, costuma ser contratado sem a disputa de preços de uma licitação.
O relator, conselheiro Fernando Melo Ferro Gomes, registrou que a promotoria demonstrou “a efetiva necessidade de realização das diligências” e homologou a primeira prorrogação do prazo. O conselho referendou a decisão por unanimidade (processo SEI nº 19.21.0314.0038128/2026-28).
Recursos repassados à Corisabbá
O segundo inquérito está na 1ª Promotoria de Justiça de Floriano, com o promotor Edgar dos Santos Bandeira Filho (SIMP nº 000173-100/2025). Segundo a ata, ele apura “possível malversação de recursos públicos recebidos pela Associação Atlética Corisabbá, notadamente recursos oriundos do Município de Floriano/PI e do Estado do Piauí, por intermédio da Secretaria de Estado dos Esportes – SECEPI”.
Malversação é o uso indevido ou mal administrado de dinheiro público. O relator, conselheiro Eny Marcos Vieira Pontes, homologou a prorrogação por 365 dias (processo SEI nº 19.21.0708.0029234/2026-98).
Por que o prazo importa
Desde a reforma da Lei de Improbidade, em 2021, o inquérito civil que investiga improbidade tem prazo de um ano, que pode ser prorrogado uma única vez por mais um ano. A prorrogação nos dois casos indica que as promotorias ainda buscam documentos e informações para concluir as apurações.
A ata não informa os valores dos patrocínios nem dos repasses investigados. A prorrogação de prazo não significa que houve irregularidade, e nenhum dos investigados foi acusado na Justiça por esses fatos.
É avaliação desta redação que patrocínios e repasses do Esporte precisam de transparência redobrada justamente porque não passam pela concorrência de uma licitação: o cidadão tem o direito de saber quanto foi pago, a quem e o que foi entregue em troca.
OUTRO LADO
A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas: a Secretaria de Estado dos Esportes do Piauí (SECEPI), o Instituto Motivação, a empresa Fourlive Streaming, a Associação Atlética Corisabbá e a Prefeitura de Floriano. As respostas serão publicadas na íntegra. O contato é redacao@radiocalcada.com.br.
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