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outubro 23, 2026 19:10

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HGV não faz, Estado não oferece: quem garante o tratamento do câncer de tireoide?

MP apura falha na assistência a paciente que operou a tireoide no HGV e espera iodoterapia. A própria SESAPI informou que o procedimento não tem oferta cadastrada no Regula Piauí. Em outro caso, paciente segue na fila estadual de exame sem previsão.

O Ministério Público do Piauí abriu dois procedimentos preparatórios para apurar demoras no atendimento de pacientes do SUS que dependem da regulação do Estado. Os dois estão na 12ª Promotoria de Justiça de Teresina, especializada na defesa da saúde, sob a responsabilidade da promotora Débora Geane Aguiar Aragão.

As portarias foram publicadas no Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público do Piauí, edição nº 2124, disponibilizada em 23 de outubro de 2026 (páginas 76 e 77).

Iodoterapia: nem HGV nem Regula Piauí

O primeiro caso (Procedimento Preparatório nº 57/2026, SIMP nº 001980-426/2026) envolve uma paciente que fez cirurgia de tireoide no Hospital Getúlio Vargas (HGV) e ainda aguarda a iodoterapia indicada para continuar o tratamento.

Iodoterapia é o tratamento com iodo radioativo feito depois da retirada da tireoide, em casos de câncer, para eliminar células que possam ter restado.

Segundo a portaria, o HGV informou que não tem o serviço de radioiodoterapia. A Secretaria de Estado da Saúde (SESAPI) esclareceu que o procedimento é feito no Hospital São Marcos e que o acesso ocorre pelo sistema de regulação do Município de Teresina, o Gestor Saúde, “inexistindo oferta cadastrada no Sistema Estadual de Regulação – Regula Piauí”.

Regulação é a fila organizada pelo poder público para distribuir consultas, exames e cirurgias do SUS. O Regula Piauí é o sistema do Estado; o Gestor Saúde é o da Prefeitura de Teresina.

O MP descreve o caso como possível falha na assistência oncológica do SUS, “em razão da ausência de definição acerca da responsabilidade pela realização de iodoterapia”, diante de alegada transferência de responsabilidade entre o HGV e o Hospital São Marcos. A promotoria pediu à regulação da Fundação Municipal de Saúde de Teresina a situação da paciente na fila e o fluxo definido para pacientes operados no HGV que precisam do tratamento.

Exame sem previsão na fila estadual

O segundo caso (Procedimento Preparatório nº 61/2026, SIMP nº 001999-426/2026) trata da demora em dois exames pedidos para uma paciente: uma ultrassonografia das duas mamas e uma eletroneuromiografia, exame que avalia nervos e músculos.

Segundo a portaria, a SESAPI informou que a ultrassonografia foi feita, mas a paciente “permanece na fila estadual de regulação para realização da eletroneuromiografia, ainda sem previsão de agendamento”. O MP pediu à SESAPI, em 10 dias úteis, a posição da paciente na fila e a previsão do exame.

Os dois procedimentos tratam de pacientes individuais. A abertura deles não significa que houve irregularidade.

É avaliação desta redação que o caso da iodoterapia revela um problema que vai além de uma paciente: se o hospital que opera não faz o tratamento e o sistema do Estado não oferece a vaga, falta dizer com clareza quem responde pela continuidade do tratamento do câncer de tireoide no Piauí.

OUTRO LADO

A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas: a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI), o Hospital Getúlio Vargas, a Fundação Municipal de Saúde de Teresina e o Hospital São Marcos. As respostas serão publicadas na íntegra. O contato é redacao@radiocalcada.com.br.

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