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outubro 25, 2026 02:05

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Piauí tem uma das maiores taxas de desemprego do país

Pelo segundo trimestre seguido, o estado aparece entre os cinco piores do Brasil e lidera o ranking de pessoas sem trabalho suficiente

Jornalista Trabulo Neto

O Piauí fechou o segundo trimestre de 2026 com uma das maiores taxas de desemprego do Brasil. Os dados são da PNAD Contínua, pesquisa do IBGE que acompanha o mercado de trabalho em todos os estados. As maiores taxas do país foram no Amapá (9,8%), Bahia (9,1%), Pernambuco e Piauí (8,3% cada) e Sergipe (7,9%). A média nacional, no mesmo período, foi de 5,4%.

Não é um resultado isolado. No primeiro trimestre do ano, as maiores taxas foram no Amapá (10,0%), Alagoas (9,2%), Bahia (9,2%), Pernambuco (9,2%) e Piauí (8,9%). Ou seja, o estado passou os dois primeiros trimestres de 2026 entre os cinco piores do país.

Vizinhos do Nordeste estão melhor

A comparação com outros estados da região mostra que o problema não é só do Nordeste. As menores taxas da região são da Paraíba (5,4%), do Rio Grande do Norte (5,6%) e do Maranhão (6%), e a média do Nordeste caiu de 8,2% para 7,6% entre o segundo trimestre de 2025 e o deste ano. O Piauí ficou acima da média da própria região.

O desemprego é só parte do problema

A taxa de desemprego conta apenas quem procurou vaga e não achou. O IBGE também mede a chamada subutilização, que soma quem está desempregado, quem trabalha menos horas do que gostaria e quem poderia trabalhar mas não está procurando. Nesse indicador, o Piauí é o pior do país: teve a maior taxa do Brasil, 26,6%, seguido por Bahia e Alagoas; a menor foi em Santa Catarina, 4,1%. No primeiro trimestre, a situação era ainda pior: o Piauí também liderou, com 30,4%.

Em palavras simples: mais de um em cada quatro piauienses que poderiam trabalhar está sem emprego ou trabalhando menos do que precisa.

Quem tem emprego também enfrenta falta de proteção. Entre os empregados do setor privado, Maranhão (53,6%), Piauí (54,2%) e Acre (55,1%) tiveram os menores percentuais com carteira assinada. Quase metade de quem trabalha para um patrão no Piauí não tem férias, 13º ou FGTS garantidos.

Enquanto isso, o país bate recorde

O contraste com o cenário nacional é grande. No Brasil, a taxa de desemprego ficou em 5,3% nos três meses até julho, e a população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, o maior número da série histórica.

O que diz o governo

O governo do Piauí tem destacado outros números. Em fevereiro, afirmou que o estado reduziu a taxa de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, de 12% para 7,3% entre o fim de 2023 e o fim de 2025, e que registrou saldo positivo de 54.193 empregos com carteira assinada entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, segundo o Caged.

É avaliação desta redação que, mesmo com esses avanços, o Piauí segue distante do resto do país: o desemprego cai no Brasil em ritmo que o estado não acompanha, e a falta de trabalho suficiente continua sendo a maior do país.

OUTRO LADO

A Rádio Calçada solicita manifestação do Governo do Estado do Piauí sobre os dados apresentados. As respostas serão publicadas na íntegra. Contato: consultor@xconexoes.com.br

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