Arraiá do Bairro Satélite, em Teresina, recebeu dois contratos da COJUV no mesmo dia. Na CENDFOL, dois contratos para o Arraiá do São Joaquim foram assinados na data do próprio evento.
Investigação e denúncias: Trabulo Neto e Trabulo Júnior
O diário oficial de 1º de julho de 2026, edição nº 124/2026, mostra um jeito curioso de contratar show no Piauí: dividir a mesma festa em dois contratos — e, em um dos casos, assinar o papel no mesmo dia em que o palco já estava montado.
O que está no documento
Nas páginas 471 a 474, a COJUV publicou dois contratos para o mesmo evento, o “Arraiá do Bairro Satélite”, em Teresina, marcado para 11 de julho: R$ 250.000,00 para a K S L LIMITADA (CNPJ 39.976.525/0001-00) e R$ 150.000,00 para a D MAIS ENTRETENIMENTO LTDA (CNPJ 26.515.836/0001-12). Os dois foram assinados no mesmo dia, 29 de junho. Total: R$ 400.000,00 para um arraiá de bairro.
Nas páginas 429 a 431, a CENDFOL — a coordenadoria estadual criada para enfrentar as drogas — publicou dois contratos para o “Arraiá do Conjunto São Joaquim”, também em Teresina: R$ 150.000,00 para a D MAIS (contrato 189/2026, SEI 00132.001381/2026-96) e R$ 100.000,00 para a RINALDO M SANTOS LTDA (contrato 190/2026, SEI 00132.001382/2026-31). Nos dois papéis, a data de assinatura é 30 de junho de 2026 — e o campo “prazo de execução” também diz 30 de junho de 2026. Ou seja: contrato assinado no dia do show.
A leitura desta redação
Na leitura desta redação, contrato assinado no dia da festa não é planejamento — é papelada correndo atrás de uma decisão que já tinha sido tomada. Um processo de contratação direta exige justificativa, pesquisa de preço e prova de exclusividade do artista. Nada disso cabe em um processo fechado em cima da hora. E dividir a mesma festa em dois contratos, nos dois órgãos, levanta a suspeita de fracionamento — quando se fatia uma despesa para facilitar a contratação sem disputa. É uma hipótese que os órgãos de controle precisam examinar.
O contraditório
Esta redação encaminha à COJUV e à CENDFOL os seguintes questionamentos e solicita resposta:
- Por que o Arraiá do Bairro Satélite recebeu dois contratos, somando R$ 400 mil, assinados no mesmo dia?
- Por que os contratos do Arraiá do Conjunto São Joaquim foram assinados no próprio dia do evento?
- Em que data começou, de fato, cada processo administrativo?
- Quais artistas se apresentaram ou se apresentarão em cada contrato?
- Quem organiza esses arraiás de bairro e como o Estado foi chamado a pagar as atrações?
O que dizem os órgãos de controle
Esta redação solicita manifestação do TCE-PI, do MPC-PI e do MP-PI: os órgãos já têm conhecimento da duplicidade de contratos para os mesmos eventos e das assinaturas feitas na data das festas? Quais providências pretendem tomar? A redação está à disposição para publicar, na íntegra, as respostas dos órgãos de controle e a eventual manifestação da COJUV e da CENDFOL.
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