Carga tributária bate recorde no país, novo imposto sobre consumo já é projetado acima do teto legal e, no Piauí, o ICMS de 22,5% convive com R$ 424 milhões em comunicação quase toda sem licitação.
Faça uma conta simples. Um produto que custa R$ 100 no Piauí, com ICMS de 22,5%, sairia por cerca de R$ 93 num estado que cobra 17%, considerando apenas esse imposto. São quase R$ 7 a mais em cada R$ 100 gastos no mercado, na farmácia, na loja de material de construção. Quem paga essa diferença não é quem ganha bem. É quem gasta tudo o que recebe para viver.
Esse é o retrato de um país e de um estado que se acostumaram a resolver qualquer aperto do mesmo jeito: mandando a conta para o contribuinte.
Os números são do próprio governo federal. Segundo o Tesouro Nacional, a carga tributária somando União, estados e municípios chegou a 32,40% do PIB em 2025, o maior nível da série histórica iniciada em 2010. De cada R$ 100 produzidos no Brasil, quase R$ 33 vão para o governo. E a subida veio principalmente de Brasília, cuja carga passou de 21,34% para 21,60% do PIB, com alta do IOF sobre operações de câmbio e crédito.
O próximo capítulo preocupa mais. A reforma tributária prometeu simplificar e fixou um limite para o novo imposto sobre consumo. Mas o Comitê Gestor do IBS já trabalha, em suas projeções, com uma alíquota estimada de 27,91%, acima do teto de 26,5% previsto em lei. O número ainda não é definitivo, e quem fixa a alíquota é o Senado. Mas o recado está dado: antes mesmo de começar para valer, o novo imposto já nasce pressionado para cima.
No Piauí, o problema não é a média nacional. É a alíquota. O Estado cobra ICMS básico de 22,5%, uma das mais altas do país, aumento aprovado pela Assembleia Legislativa. E enquanto cobra caro, gasta como quem não precisa prestar contas. Só com comunicação, o governo pagou R$ 424,1 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, cerca de R$ 10 milhões por mês. É dinheiro de imposto usado para o governo falar bem de si mesmo.
No mesmo período, foram autorizados cerca de R$ 25 bilhões em operações de crédito, dos quais pouco mais de R$ 12 bilhões em empréstimos novos. Empréstimo também é imposto. É imposto adiado, que o contribuinte de amanhã pagará com juros.
O ciclo é conhecido. A despesa cresce sem controle e vira argumento para aumentar a receita. A receita aumenta e abre espaço para mais despesa. Em Brasília ou em Teresina, quem sai perdendo é sempre o mesmo.
A Rádio Calçada não defende o fim dos serviços públicos. Saúde, educação, segurança e saneamento custam caro. Defendemos que o dinheiro de quem paga seja tratado com o respeito que merece: teto do novo imposto cumprido, licitação como regra e não exceção, propaganda cortada antes de qualquer corte no prato do trabalhador, contratos publicados por inteiro.
Governo bom não é o que arrecada mais. É o que gasta melhor. Enquanto isso não for provado, nenhum governo tem autoridade para pedir mais um centavo ao cidadão.














