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agosto 25, 2026 22:00

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O Piauí lidera no Brasil o indicador que mede o desemprego

A subutilização da força de trabalho no estado é de 30,4%, mais que o dobro da média nacional. É a maior do país, e não é a primeira vez

Trabulo Neto (0002880/PI) e Trabulo Júnior (0014965/DF)

Reportagem  da série “O trabalho que o Piauí tem”. Cada texto da série explica um indicador oficial do mercado de trabalho piauiense, o que ele mede, o que ele esconde e o que ele significa na vida de quem trabalha.

O número

No primeiro trimestre de 2026, a taxa composta de subutilização da força de trabalho no Piauí foi de 30,4%. É a maior do Brasil.

Em segundo lugar veio a Bahia, com 26,3%, e em terceiro Alagoas, com 26,1%. A média nacional foi de 14,3%.

Na média de todo o ano de 2025, o Piauí também liderou, com 31,0%, contra média brasileira de 14,5%.

Santa Catarina, no primeiro trimestre de 2026, registrou 4,7%. A distância entre o melhor e o pior estado do país nesse indicador é de mais de 25 pontos percentuais.

O que é subutilização

Este é o indicador mais importante desta série inteira, e é também o menos conhecido.

A taxa de desemprego só conta uma coisa: quem não tem trabalho e procurou trabalho na semana de referência da pesquisa. Quem trabalhou uma hora que fosse já é considerado ocupado. Quem não procurou, por qualquer motivo, sai da conta.

A subutilização foi criada justamente para corrigir isso. Ela soma três grupos que a taxa de desemprego trata de forma diferente:

1. Os desocupados. Quem não tem trabalho e está procurando.

2. Os subocupados por insuficiência de horas. Quem trabalha menos horas do que gostaria e do que poderia, porque não consegue mais trabalho. Aparece como ocupado na estatística tradicional, mas está trabalhando pela metade.

3. A força de trabalho potencial. Quem gostaria de trabalhar e não procurou ativamente, ou quem procurou mas não estava disponível para começar naquele momento. Aqui entra quem desistiu, quem não tem como pagar o transporte para procurar, quem não tem com quem deixar o filho.

O resultado é dividido pela força de trabalho ampliada, que inclui todos esses grupos.

Em português direto: a subutilização mede toda a mão de obra do estado que está parada, semiparada ou desperdiçada.

O que 30,4% significa

Significa que aproximadamente três em cada dez piauienses que poderiam estar trabalhando plenamente não estão.

E significa uma coisa mais desconfortável quando se compara com o outro número. A taxa de desemprego do Piauí no mesmo trimestre foi de 8,9%. A subutilização foi de 30,4%.

A diferença entre os dois números, de mais de 21 pontos percentuais, é exatamente o tamanho do problema que a taxa de desemprego não captura. É gente que trabalha poucas horas, gente que desistiu, gente que quer e não consegue entrar.

Quando um governo divulga taxa de desemprego, ele está usando o indicador que apresenta o melhor número disponível. Isso vale para governos de qualquer partido, em qualquer estado. É avaliação desta redação que a subutilização é o número que descreve com mais honestidade a situação do trabalho no Piauí, e que ele deveria constar de qualquer balanço oficial sobre mercado de trabalho no estado.

Um indicador que não se move

O ponto mais grave não é o valor. É a estabilidade.

O Piauí liderou o ranking de subutilização na média anual de 2025, com 31,0%, e seguiu liderando no primeiro trimestre de 2026, com 30,4%. No mesmo período, o estado teve a terceira maior taxa de crescimento do emprego formal do país, 5,81% em 2025.

Ou seja: o emprego formal cresceu em ritmo acelerado e a subutilização praticamente não se moveu.

É avaliação desta redação que isso indica que o crescimento do emprego formal no Piauí, ainda que real, ocorre em volume insuficiente e em concentração territorial excessiva para alterar a situação da força de trabalho do estado como um todo.

Como esta reportagem foi feita

Os dados de subutilização vêm da PNAD Contínua do IBGE, divulgação trimestral referente ao primeiro trimestre de 2026, publicada em 14 de maio de 2026, e da retrospectiva anual de 2025, publicada em 20 de fevereiro de 2026.

A definição metodológica da taxa composta de subutilização reproduzida nesta reportagem é a do próprio IBGE.

Os dados de crescimento do emprego formal vêm do balanço do Novo Caged de 2025.

Contraditório

A Rádio Calçada procura a Secretaria de Estado do Planejamento do Piauí para que informe se o governo estadual acompanha a taxa composta de subutilização da força de trabalho como indicador de política pública, se existe meta de redução, qual o percentual perseguido e em que prazo.

A Rádio Calçada procura a Secretaria de Estado do Trabalho e Empreendedorismo para que informe quais programas estaduais têm como público-alvo declarado o trabalhador subocupado por insuficiência de horas.

As respostas serão publicadas na íntegra, sem edição, no momento em que chegarem.

Fiscalização

A Rádio Calçada solicita ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí que informe se os programas estaduais de geração de emprego e renda possuem indicadores de resultado vinculados a métricas oficiais do IBGE, e se a ausência de tais indicadores já foi objeto de apontamento em processo de contas.

Nesta série

A próxima reportagem trata do desalento, que é o nome técnico para quem desistiu de procurar emprego. No Piauí, a taxa é o triplo da média nacional.

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