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julho 16, 2026 18:12

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SÉRIE ESPECIAL ICMS PIAUÍ

R$ 129,03 por R$ 100: a série que mostra por que o estado com o maior desemprego do Brasil paga o segundo imposto mais alto do país

Para colocar R$ 100 de mercadoria no carrinho, o piauiense entrega hoje R$ 129,03 no caixa. Ao mesmo tempo, o Piauí fechou 2025 como campeão nacional de desemprego. A partir desta semana, a Rádio Calçada publica seis reportagens sobre o imposto que encareceu a vida, a aposta de 49 anos que ele financia e a conta que não fecha na mesa do trabalhador.

Investigação e denúncias: Trabulo Neto e Trabulo Júnior

Faça a conta com esta redação. O ICMS é cobrado por dentro: o imposto integra o próprio preço. Com a alíquota geral de 22,5%, em vigor no Piauí desde abril de 2025, uma mercadoria que vale R$ 100 chega à prateleira por R$ 129,03, porque R$ 29,03 são imposto embutido. Em 2022, quando a alíquota era 18%, a mesma mercadoria custava R$ 121,95. São R$ 7,08 a mais a cada R$ 100, em tudo que não é cesta básica nem combustível: a geladeira, o material escolar, o botijão de tinta, a peça da moto, a recarga do celular, a conta de luz.

Agora o segundo número. Em 2025, primeiro ano completo da nova alíquota, o Piauí registrou a maior taxa de desemprego do Brasil: 9,3%, quase o dobro da média nacional de 5,6%. Registrou também a maior subutilização da força de trabalho do país: 31%, quase um em cada três piauienses desempregado, desalentado ou trabalhando menos do que precisa. Mais da metade dos ocupados está na informalidade. Enquanto vinte unidades da federação comemoravam as menores taxas de desemprego de suas histórias, o Piauí assumia a lanterna.

É fato que os dois recordes convivem no mesmo estado, no mesmo ano. É avaliação desta redação que eles conversam entre si: imposto sobre consumo encarece o produto, encolhe a demanda, comprime o comércio que mais emprega, empurra o trabalhador para a informalidade e pesa mais sobre quem ganha menos. A pergunta desta série é a pergunta de qualquer piauiense diante do caixa do supermercado: o que eu estou recebendo em troca?

Seis reportagens vão responder com documentos, números e nomes.

Parte 1, O mapa do imposto: como o Piauí saltou de 18% para 22,5% em dois aumentos e ficou atrás apenas do Maranhão no ranking nacional, enquanto o vizinho Ceará, cobrando 20%, arrecada mais e emprega mais.

Parte 2, Aprovado em véspera de Natal: a tramitação relâmpago dos dois aumentos, com comissão, plenário e sanção espremidos em horas, e o aumento silencioso que ninguém anunciou, a alta de 71% no imposto dos produtos que pagavam carga reduzida.

Parte 3, A aposta dos 49 anos: o governo admite que a alíquota serve para inflar a fatia do Piauí no imposto nacional que vem aí. Pela régua aritmética do próprio secretário da Fazenda, essa aposta retira da ordem de R$ 200 milhões por ano do bolso do consumidor. E não tem data para devolver.

Parte 4, Para onde vai o dinheiro: a arrecadação recorde de um lado; do outro, o que o acervo desta redação já documentou, dos R$ 381 milhões em shows contratados 92,4% sem licitação aos contratos de saúde sob operação policial, com um portal de transparência que bloqueia o cidadão no meio do caminho.

Parte 5, O balcão de isenções: enquanto o consumidor paga 22,5% sem escolha, empresas selecionadas caso a caso recebem benefícios que somaram R$ 166 milhões em 2024, mediante promessas de emprego que ninguém audita publicamente. Depois de anos dessa política, o resultado está no parágrafo acima: lanterna nacional.

Parte 6, A conta na mesa: o retrato completo de emprego e renda no Piauí do imposto recorde, com os números do IBGE, o que diz o governo e o que a comparação com os outros 26 estados não deixa esconder.

Fato separado de avaliação, contraditório encaminhado a todos os citados, respostas publicadas na íntegra. Como sempre foi aqui.

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