O Governo do Estado declara mais de R$ 103 milhões investidos em pistas de pouso desde 2023 e promete chegar a 32 aeródromos. A Rádio Calçada mapeou todas as obras, uma a uma, e encontrou: R$ 13 milhões sem valor individualizado, reformas anunciadas como construções, um pregão de balizamento suspenso pelo TCE por risco de superfaturamento, contratos de operação aeroportuária renovados há quatro anos sem nova licitação, nenhuma lista pública consolidada de quais empresas construíram as pistas — e tudo isso num estado onde mais de 100 mil pessoas ainda bebem água de carro-pipa, inclusive na região das pistas recém-inauguradas.
Investigação e denúncias: Jornalistas Trabulo Neto 0002880/PI e Trabulo Júnior 0014965/DF
O programa
Desde janeiro de 2023, a expansão da malha aeroviária é uma das vitrines centrais do governo Rafael Fonteles. A execução está a cargo da Secretaria de Estado dos Transportes (Setrans), comandada por Jonas Moura, e a narrativa oficial se repete, cerimônia após cerimônia, sobre três pilares: atração de investidores, fortalecimento do turismo e socorro aéreo pelo Samu — que, segundo o governo, “já salvou mais de mil vidas”.
Os marcos declarados: mais de R$ 250 milhões investidos pela Setrans em 2023 em pavimentação e aeródromos; quase R$ 100 milhões acumulados em infraestrutura aeroportuária até janeiro de 2025; mais de R$ 103 milhões e “mais de 19 pistas novas” até fevereiro de 2025. A meta, anunciada inicialmente como 29 aeródromos com 11 balizamentos noturnos, foi ampliada: na inauguração de Jaicós, em fevereiro de 2025, o secretário Jonas Moura declarou que “até o fim do nosso governo teremos 32 aeródromos, integrando o estado como um todo”.
Esta reportagem consolidou, a partir dos balanços oficiais, dos diários oficiais e da cobertura de imprensa, todas as intervenções identificáveis do programa. O resultado está no quadro abaixo — e nas lacunas que ele revela.
O mapa completo
| Nº | Município | Equipamento | Intervenção | Entrega | Valor divulgado |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Piripiri | Aeródromo | Reforma, ampliação e pavimentação (pista 1.200 m × 23 m) | 22/01/2023 | R$ 2,5 milhões |
| 2 | Valença do Piauí | Aeródromo | Reforma e pavimentação (pista 1.000 m × 20 m) | 21/03/2023 | R$ 2,4 milhões |
| 3 | Cocal | Aeródromo | Reforma e pavimentação | 24/03/2023 | R$ 2,3 milhões |
| 4 | Castelo do Piauí | Aeródromo | Reforma e ampliação | 24/03/2023 | R$ 2,4 milhões |
| 5 | Santa Filomena | Aeródromo | Construção/pavimentação (1.200 m × 20 m) | 11/05/2023 | R$ 3 milhões |
| 6 | Ribeiro Gonçalves | Aeródromo | Pavimentação da pista (1.200 m × 20 m) | 11/05/2023 | R$ 2,6 milhões |
| 7 | Curimatá | Aeródromo | Pavimentação da pista | 27/05/2023 | R$ 2,8 milhões |
| 8 | Bom Jesus | Aeroporto Regional | Reforma e ampliação, 1ª etapa (1.200 m × 30 m, balizamento) | 01/07/2023 | R$ 20,9 milhões |
| 9 | Alvorada do Gurguéia | Aeródromo | Pavimentação asfáltica | 01/07/2023 | R$ 2,6 milhões |
| 10 | Canto do Buriti | Aeródromo | Construção | 2023 | não divulgado |
| 11 | Oeiras | Aeroporto | Reforma e ampliação (1.200 m × 23 m) | 2023 | R$ 6,3 milhões |
| 12 | Picos | Aeroporto | Reforma e balizamento noturno homologado pela ANAC | 2023 | R$ 7 milhões |
| 13 | Cajueiro da Praia | Aeroporto de Barra Grande | Construção (1.500 m × 25 m, balizamento, terminal) | dez/2023 | mais de R$ 18 milhões |
| 14 | Luzilândia | Aeródromo | Não detalhado no balanço oficial | até jun/2025 | não divulgado |
| 15 | Uruçuí | Aeroporto | Ampliação; voos noturnos liberados em 2026 | etapas 2023–2026 | não divulgado |
| 16 | Paulistana | Aeródromo | Reforma e ampliação (1.200 m × 23 m) | concluído jun/2024 | R$ 3,5 milhões |
| 17 | Jaicós | Aeródromo | Reforma e manutenção (1.200 m × 20 m) | 08/02/2025 | R$ 3.007.453,84 |
| 18 | Parnaíba | Aeroporto Internacional | Reforma | até jun/2025 | não divulgado |
| 19 | Corrente | Aeródromo | Reforma e ampliação (CBUQ, balizamento noturno) | 16/07/2025 | R$ 7,4 milhões |
| 20 | Barras | Aeródromo | Construção de novo aeródromo | 22/09/2025 | R$ 3,1 milhões |
| 21 | São Raimundo Nonato | Aeroporto | Homologação/operação; voos regulares para Petrolina e Recife | — | não divulgado |
| 22 | Floriano | Aeroporto | Homologação/operação | — | não divulgado |
| 23 | Fronteiras | Aeroporto | Melhorias e balizamento | em execução | não divulgado |
| 24 | Guadalupe | Aeroporto | Melhorias e balizamento | em execução | não divulgado |
| 25 | Gilbués | Aeródromo | Anunciado como prioridade em fev/2025 | anunciado | não divulgado |
Fontes: balanços da Setrans e do Governo do Estado (pi.gov.br), Diário Oficial do Estado, ALEPI, Aeroin, Cidade Verde e apuração própria. Valores conforme divulgação oficial de cada entrega.
O buraco de R$ 13 milhões
Fato: a soma de todos os valores individualizados publicamente pelo próprio governo — os que constam do quadro acima — alcança cerca de R$ 90 milhões. A Setrans, porém, declara “mais de R$ 103 milhões” investidos em infraestrutura aeroportuária.
Fato: pelo menos oito intervenções do programa não têm valor individualizado em nenhuma divulgação oficial localizada por esta reportagem: Canto do Buriti, Luzilândia, Uruçuí, Parnaíba, São Raimundo Nonato, Floriano, Fronteiras e Guadalupe.
Avaliação da redação: há uma diferença da ordem de R$ 13 milhões entre o que o governo declara em bloco e o que detalha peça por peça. A diferença pode corresponder exatamente às obras sem valor divulgado — mas isso é impossível de verificar sem a relação de contratos, e é precisamente essa relação que não existe em formato consolidado e acessível ao cidadão.
O que as cerimônias não dizem: reforma não é construção
Fato: dos 25 equipamentos mapeados, a esmagadora maioria corresponde a reforma, ampliação ou pavimentação de pistas que já existiam. Os próprios extratos oficiais o confirmam: Jaicós é “reforma e manutenção”; Paulistana, “reforma e ampliação”; Picos, “reforma”; Piripiri, “reforma, ampliação e pavimentação”; Bom Jesus, “reforma e ampliação” de aeródromo cujo projeto executivo foi contratado ainda em 2018, na gestão anterior, dentro de programa do Governo Federal. As construções propriamente novas identificadas com clareza são Barra Grande, em Cajueiro da Praia, e Barras.
Avaliação da redação: o discurso oficial oscila estrategicamente entre “construímos”, “entregamos” e “pistas novas”, produzindo no ouvinte a impressão de uma malha criada do zero. O programa é, na maior parte, um programa de recapeamento e modernização de infraestrutura preexistente — o que não é demérito, mas é outra coisa, e custa outro preço político quando dito com precisão.
O custo invisível: quanto custa manter as pistas abertas
Fato: além do investimento nas obras, o Estado paga continuamente pela administração, operação e segurança dos aeroportos. Os Contratos nº 74, 75 e 76/2022, firmados pela Setrans com a empresa ESAERO para os lotes de Floriano, Oeiras e Picos, acabam de receber, em julho de 2026, aditivos de prorrogação por mais 12 meses, custeados pelas reservas orçamentárias 2026RO07427, 2026RO07443 e 2026RO07419.
Fato: são contratos assinados em 2022 que entram, portanto, no quarto ou quinto ano de vigência por sucessivas prorrogações, sem notícia pública de nova licitação.
Avaliação da redação: nenhuma cerimônia de inauguração informa quanto custará, por ano, manter cada pista operando. O custeio recorrente da operação aeroportuária é a conta que segue chegando depois que a fita é cortada — e, somada ao longo de 35 anos de vida útil das pistas, pode superar largamente o valor das próprias obras. Esta redação não localizou os valores mensais dos contratos da ESAERO em formato acessível, e questiona-os formalmente abaixo. Também não há informação pública clara sobre quem opera os demais equipamentos — Barra Grande, São Raimundo Nonato, Parnaíba, Bom Jesus e a rede de aeródromos menores.
O balizamento que o TCE mandou parar
Fato: o balizamento noturno é o argumento mais repetido do programa — é ele que permite o Samu Aéreo operar à noite, e 11 das pistas prometidas deveriam tê-lo. Em dezembro de 2024, porém, o Tribunal de Contas do Estado suspendeu, por decisão monocrática nº 347/2024-GWA, o Pregão Presencial nº 01/2024 da Setrans (processo LW-008602/24), que previa R$ 11.166.205,36 para registro de preços de projeto e instalação de equipamentos de auxílio à navegação aérea nos aeródromos e aeroportos do estado.
Fato: a fiscalização do TCE apontou três problemas: falta de justificativa plausível para a modalidade presencial — que reduz a competição —, ausência de detalhamento do item de maior relevância na planilha orçamentária, com risco de superfaturamento, e imprecisão na exigência de capacidade técnica, com risco de contratação de empresa sem qualificação.
Avaliação da redação: o desfecho desse certame é uma incógnita pública. Se as obras de balizamento hoje em execução em Fronteiras e Guadalupe, e os balizamentos entregues em Corrente e Uruçuí, derivam de licitação refeita, o cidadão tem o direito de saber quem venceu, por quanto e em que condições. Esta redação questiona o ponto formalmente abaixo e solicita ao TCE-PI informação sobre o andamento do processo.
As empresas que ninguém apresenta
Fato: em três anos e meio de programa e ao menos 20 obras entregues, não existe divulgação oficial consolidada informando quais construtoras executaram cada pista, por qual licitação, com quais aditivos e por qual valor final. As cerimônias nomeiam o governador, o secretário e os prefeitos — nunca os contratados.
Fato: a única cadeia contratual completa que esta reportagem conseguiu reconstituir a partir de fontes públicas é anterior ao atual governo: o projeto básico e executivo da reforma de Bom Jesus foi objeto do Contrato nº 51/2018 da Setrans com a Rocha Engenharia e Projetos Aeroportuários Ltda EPP, dentro do Programa de Investimento em Logística do Governo Federal, com a obra da primeira etapa financiada por convênio de R$ 19,3 milhões com a Secretaria Nacional de Aviação Civil, mais R$ 1,6 milhão do Tesouro Estadual.
Fato: o Portal da Transparência do Piauí, ferramenta que permitiria ao cidadão reconstituir empenhos e pagamentos por empresa, segue impedindo a extração de relatórios — falha que esta redação documenta reiteradamente e que permanece sem providência conhecida dos órgãos de controle.
Avaliação da redação: um programa de mais de R$ 103 milhões executado quase integralmente com recursos próprios do Tesouro, sem lista pública de contratados, é um programa cuja fiscalização social foi, na prática, inviabilizada. A opacidade não prova irregularidade — mas irregularidade nenhuma sobrevive à transparência, e a recíproca deveria bastar como incentivo.
Os números que o governo celebra — e o que falta neles
Fato: segundo dados divulgados em fevereiro de 2026, os voos regionais no Piauí cresceram mais de 500% entre 2023 e 2025. Bom Jesus teria saltado de 385 para 907 voos (alta de 135,6%) e Picos de 771 para 1.204 (alta de 56,16%). O estado contaria hoje com 26 aeroportos estruturados, 10 com balizamento noturno.
Avaliação da redação: os números de tráfego são a melhor defesa possível do programa — e, justamente por isso, merecem escrutínio. A origem primária dos dados (ANAC, DECEA ou levantamento do próprio governo) não é explicitada nas divulgações, e o crescimento percentual parte de bases muito baixas. Mais relevante: não há dado público sobre o movimento das pistas menores. Quantos pousos registraram, desde a inauguração, os aeródromos de Curimatá, Santa Filomena, Alvorada do Gurguéia ou Canto do Buriti? Se a resposta for “quase nenhum”, o custo por voo dessas pistas — construção mais operação — será o número que nenhuma cerimônia jamais anunciou.
A pista e a torneira
Fato: o Censo Demográfico 2022 do IBGE registra que 101.793 piauienses — 3,12% da população — dependem do carro-pipa como principal fonte de água, quinto pior índice do país. Três dos dez municípios brasileiros mais dependentes de carro-pipa são piauienses e ficam na mesma região do semiárido onde o programa entregou as pistas de Jaicós e Paulistana: Marcolândia (91,30% da população, terceiro pior do Brasil), Betânia do Piauí (85,17%, sexto) e Caldeirão Grande do Piauí (76,81%, oitavo). Betânia é vizinha de Paulistana. Em nenhum dos três, o avião pousa com água.
Fato: o mesmo Censo mostra que 164 mil piauienses — 5% da população — vivem em domicílios sem banheiro, sanitário ou sequer buraco para dejeções, o pior índice do Brasil, à frente de Acre e Maranhão. O esgotamento sanitário adequado alcança 46,46% dos domicílios do estado; na zona rural, apenas 19,71% — menos de um em cada cinco.
Fato: em abril de 2026, o Governo do Estado divulgou que o Piauí “lidera no Nordeste” com 90,6% dos domicílios recebendo água diariamente. O número é verdadeiro, mas mede outra coisa: refere-se apenas aos domicílios que já estão ligados à rede geral de abastecimento — é um indicador de regularidade para quem já tem o serviço. No quadro geral, 88,3% dos domicílios piauienses têm acesso à rede, o que significa que mais de um em cada dez segue fora dela, concentradamente na zona rural e nos pequenos municípios do semiárido. É nesse grupo que estão Marcolândia, Betânia e Caldeirão Grande.
Fato: a régua de custo do próprio governo permite a comparação. Em 2026, o Estado autorizou licitação de cerca de R$ 1 milhão para implantar sistemas de abastecimento de água em quatro localidades rurais de Lagoa do Barro do Piauí — Cacimbas, Lagoa do Sítio, Maravilha e Poço da Manga. Cerca de R$ 250 mil por localidade atendida.
Avaliação da redação: por essa régua oficial, um único aeródromo padrão do programa (entre R$ 2,3 milhões e R$ 3,5 milhões) equivale a sistemas simplificados de água para algo entre 9 e 14 localidades rurais. Os mais de R$ 103 milhões do programa aeroviário equivaleriam a sistemas de abastecimento para centenas de comunidades — o suficiente para alterar de forma mensurável os indicadores que hoje colocam o Piauí no topo dos rankings nacionais de precariedade hídrica e sanitária. Celebrar a regularidade da torneira de quem tem torneira, num estado onde mais de 100 mil pessoas bebem de carro-pipa, é uma escolha de comunicação que ilumina o serviço prestado e deixa na sombra o serviço negado.
Fato: há ainda um terceiro elemento, que esta redação acompanha desde 2024: o Contrato nº 648/2024, a concessão dos serviços de água e esgoto da Microrregião de Água e Esgoto (MRAE) à Águas do Piauí, do grupo Aegea, por 35 anos e valor da ordem de R$ 9,5 bilhões. A estrutura da concessão foi desenhada sobre a base urbana historicamente atendida pela Agespisa e pelas prefeituras conveniadas — e as metas contratuais para as zonas rurais e para as localidades hoje dependentes de carro-pipa são exatamente o que se questiona formalmente abaixo, porque é nelas que se decide se Marcolândia, Betânia e Caldeirão Grande continuarão bebendo de caminhão até a década de 2050.
Avaliação da redação: orçamento é escolha. Um estado que encontrou mais de R$ 103 milhões em recursos majoritariamente próprios para pistas de pouso em três anos, e que estruturou uma concessão de R$ 9,5 bilhões para a água urbana, não pode alegar impossibilidade fiscal diante das comunidades rurais sem rede. O que existe é hierarquia de prioridades — e ela está documentada nos diários oficiais: as pistas ficaram prontas; as torneiras, não.
Contraditório
A reportagem encaminha os seguintes questionamentos e solicita resposta.
Ao Governo do Estado do Piauí e à Secretaria de Estado dos Transportes (Setrans):
- Solicita-se a relação completa das obras do programa aeroviário desde 2023, com: empresa contratada, CNPJ, número da licitação, número do contrato, valor contratado, aditivos e valor efetivamente pago, por município.
- Qual o valor individualizado das intervenções em Canto do Buriti, Luzilândia, Uruçuí, Parnaíba, São Raimundo Nonato, Floriano, Fronteiras e Guadalupe?
- Como se explica a diferença entre a soma dos valores individualizados divulgados (cerca de R$ 90 milhões) e o total declarado de “mais de R$ 103 milhões”?
- Das 32 pistas da meta, quantas correspondem a construção de aeródromo inexistente e quantas a reforma, ampliação ou pavimentação de pista preexistente?
- Qual o valor mensal e global dos Contratos nº 74, 75 e 76/2022 com a ESAERO, quantos aditivos cada um recebeu, qual o fundamento legal das prorrogações sucessivas desde 2022 e por que não houve nova licitação?
- Quem administra e opera os aeroportos de Barra Grande, São Raimundo Nonato, Parnaíba e Bom Jesus e os demais aeródromos do programa, sob quais contratos e valores?
- Qual foi o desfecho do Pregão Presencial nº 01/2024 (auxílio à navegação aérea, R$ 11,16 milhões), suspenso pelo TCE-PI? Houve novo certame? Quem venceu e por qual valor? As obras de balizamento em Fronteiras e Guadalupe derivam de qual contrato?
- Qual a fonte primária dos dados de crescimento de voos divulgados (ANAC, DECEA ou levantamento próprio) e qual o movimento registrado, desde a inauguração, em cada um dos aeródromos entregues — incluindo os de menor porte?
- Existe estudo de demanda ou viabilidade para cada pista da meta de 32? Em caso positivo, solicita-se cópia.
- Qual a parcela do programa custeada por recursos próprios do Tesouro, por convênios federais e por operações de crédito, discriminada por obra?
À Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, à Agespisa e à Superintendência de Parcerias e Concessões (Suparc):
- Quantas localidades rurais piauienses permanecem sem sistema de abastecimento de água, e qual o custo estimado para universalização?
- Qual o valor total investido pelo Estado, com recursos próprios, em sistemas de abastecimento de água rural de 2023 até julho de 2026 — e como esse valor se compara aos mais de R$ 103 milhões declarados em infraestrutura aeroportuária no mesmo período?
- O Contrato nº 648/2024 (Águas do Piauí/Aegea) contém metas, prazos e investimentos obrigatórios para as localidades hoje atendidas por carro-pipa, incluindo Marcolândia, Betânia do Piauí e Caldeirão Grande do Piauí? Em caso positivo, solicita-se o detalhamento por município e ano.
- Qual o cronograma concreto para que os três municípios citados deixem de depender de carro-pipa como principal fonte de abastecimento de água?
Aos órgãos de controle
Esta redação solicita ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), ao Ministério Público de Contas (MPC-PI) e ao Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) que informem se já têm conhecimento dos fatos aqui documentados — em especial a ausência de relação pública consolidada de contratados de um programa superior a R$ 103 milhões, a diferença não explicada entre valores declarados em bloco e valores individualizados, as prorrogações sucessivas dos contratos de operação aeroportuária firmados em 2022, o desfecho do pregão de balizamento suspenso pela decisão monocrática nº 347/2024-GWA e o contraste entre a aplicação de mais de R$ 103 milhões em pistas de pouso, com recursos majoritariamente próprios, e a permanência de mais de 100 mil piauienses abastecidos por carro-pipa — inclusive na região das pistas inauguradas — e quais medidas pretendem adotar, tanto quanto à fiscalização dos critérios de priorização desses investimentos quanto às metas de universalização previstas no Contrato nº 648/2024.
Esta redação registra ainda que o Portal da Transparência do Piauí segue impedindo a extração de relatórios pelos cidadãos, o que dificulta diretamente a fiscalização dos gastos aqui tratados, e que, até a presente data, não há notícia de providência dos órgãos de controle para normalizar o acesso.
A redação se coloca à disposição para publicar, na íntegra, as respostas de todos os órgãos questionados.
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