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setembro 20, 2026 11:59

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Até quando os navios do minério vão ficar parados na costa do Piauí?

Enquanto grandes mineradoras reduzem operações por causa do frete recorde para a China, três navios ligados à operação de minério da Companhia Porto Piauí seguem sem destino declarado no litoral piauiense

Jornalista Trabulo Neto

Às 19h20 desta terça-feira (15), o sistema de rastreamento de navios VesselFinder mostrava três embarcações ligadas à operação de transbordo de minério de ferro da Companhia Porto Piauí paradas ao largo de Luís Correia. Nenhuma delas informava destino nem previsão de chegada a outro porto.

No mesmo dia, a Bloomberg Línea publicou reportagem mostrando que o mercado de minério de ferro vive um momento duro para os pequenos exportadores brasileiros. O cenário ajuda a entender por que a aposta do governo do Piauí em exportar minério por Luís Correia enfrenta um ambiente cada vez mais difícil.

O que mostram os rastreadores

O MARINE VICTORY (IMO 9455533), graneleiro de 250 metros de comprimento e capacidade para cerca de 114 mil toneladas, aparece fundeado, com velocidade de 0,2 nó. O calado informado é de 8,3 metros, o mesmo registrado pela Rádio Calçada em 12 e 24 de agosto. Calado é a parte do casco que fica debaixo d’água: quanto mais carga, maior ele fica.

O VENTURE (IMO 9233416), navio de 190 metros com sistema próprio de descarga, também aparece fundeado, a 0,1 nó, com calado de 7,4 metros. É o mesmo calado que ele informava em 24 de agosto.

O KONTA III (IMO 9872793), embarcação menor, de 110 metros e cerca de 9,5 mil toneladas de capacidade, aparece com velocidade zero e calado de 3,8 metros. Em 24 de agosto, o calado informado era de 4,3 metros. O status do navio aparece como “em navegação”, embora esteja parado.

Pelas coordenadas, o KONTA III está a cerca de 40 metros do VENTURE. O MARINE VICTORY está a cerca de 2,4 quilômetros dos dois.

Em 24 de agosto, o MARINE VICTORY e o KONTA III ainda exibiam previsões de chegada já vencidas (14 e 9 de agosto). Agora, os campos de destino e de previsão de chegada dos três navios estão em branco.

O mercado que o Piauí quer disputar

Segundo a Bloomberg Línea, o frete marítimo entre o Brasil e a China está nos níveis mais altos desde 2021. A reportagem informa que a rota que liga o porto de Tubarão, no Espírito Santo, a Qingdao, na China, foi cotada a US$ 42,12 por tonelada em 14 de setembro.

Ao mesmo tempo, o preço do minério caiu. De acordo com a publicação, a cotação de referência ficou em sua maioria abaixo de US$ 100 por tonelada desde julho, depois de chegar perto de US$ 112 em maio. Um analista ouvido pela Bloomberg Línea estima que o valor que efetivamente chega ao produtor brasileiro caiu mais de US$ 18 por tonelada.

O resultado, segundo a reportagem, já aparece em Minas Gerais. A Usiminas suspendeu no início de setembro as operações de uma unidade de mineração, e a Itaminas anunciou a paralisação de uma planta em outubro. O diretor da Itaminas afirmou à Bloomberg Línea que o frete pesa mais sobre as mineradoras independentes, que não têm a estrutura logística das grandes empresas do setor.

Por que isso importa para Luís Correia

Em Minas Gerais, o minério chega ao porto por ferrovia e é carregado direto no navio, no cais. O modelo de Luís Correia é outro: a carga precisa passar por embarcações intermediárias até chegar ao navio grande, que fica ancorado longe da costa, porque o canal de acesso não comporta navios desse porte.

É avaliação desta redação que cada etapa extra desse caminho representa custo adicional por tonelada, num momento em que até exportadores com logística pronta estão cortando produção por falta de margem.

A reportagem da Bloomberg não trata do Piauí. A Rádio Calçada não afirma que o frete recorde seja a causa das dificuldades da operação de Luís Correia. O que os dados mostram é que o mercado ficou mais hostil justamente para o perfil de exportador que o modelo piauiense pretende atender.

A pergunta que segue sem resposta

Navios parados custam dinheiro. No transporte marítimo, cada dia de espera além do combinado costuma gerar cobrança ao contratante do navio.

A Rádio Calçada pergunta à Companhia Porto Piauí quem arca com o custo da permanência dos navios fundeados, quanto já foi gasto, e qual é o plano da operação diante da queda do preço do minério e da alta do frete.

OUTRO LADO

A Rádio Calçada solicita manifestação da Companhia Porto Piauí, da Investe Piauí (Agência de Atração de Investimentos Estratégicos) e do Governo do Estado do Piauí. As respostas serão publicadas na íntegra.

Contato: consultor@xconexoes.com.br

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