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setembro 20, 2026 09:59

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EDITORIAL Vinte e três anos, e o Piauí continua sendo o estado onde mais gente não sabe ler

Por Trabulo Neto

Em 2003, quando Wellington Dias assumiu o governo do Piauí pela primeira vez, o Estado já era um dos piores do país em analfabetismo. Em 2026, depois de quatro mandatos do Partido dos Trabalhadores, de uma gestão do então aliado Wilson Martins entre 2010 e 2014, e do mandato de Rafael Fonteles, o Piauí segue dividindo com Alagoas a maior taxa de analfabetismo do Brasil.

São vinte e três anos de hegemonia de um mesmo projeto político. Tempo suficiente para uma criança nascer, atravessar toda a educação básica, formar-se em uma universidade e começar a trabalhar. Tempo mais que suficiente para alfabetizar uma população.

Não foi feito.

O que os números dizem

A PNAD Contínua Educação 2025, do IBGE, mostra que 13,1% dos piauienses com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever um bilhete simples. A média nacional é de 4,9%. O Piauí está quase três vezes acima do país.

Entre os idosos, a situação é pior e piorou. A taxa entre pessoas de 60 anos ou mais chegou a 35,2%, a maior de todos os estados brasileiros. Mais de um em cada três. E, ao contrário de praticamente todas as outras faixas de idade, essa subiu, com alta de 2,2 pontos percentuais de 2024 para 2025.

Entre os homens, o Piauí também é o pior do país, com 15%.

Entre as pessoas de 25 anos ou mais, apenas 44,6% concluíram pelo menos o ensino médio. Mais da metade da população adulta do Estado não terminou a educação básica obrigatória. É a segunda pior proporção do Brasil.

A Meta 9 do Plano Nacional de Educação, que é lei federal desde 2014, mandava reduzir o analfabetismo a 6,5% até 2015 e erradicá-lo até 2024. O Piauí não cumpriu nenhum dos dois prazos. Não chegou nem perto do primeiro.

A vergonha

A criança rende foto de inauguração, sobe no Ideb, aparece em ranking nacional e vira material de campanha. O idoso de 70 anos que nunca aprendeu a ler não rende nada disso. Ele não melhora indicador vistoso, não aparece em manchete de portal nacional e não está na propaganda do governo. E foi justamente ele que ficou para trás, no recorte em que o Estado andou para trás.

Vinte e três anos depois, o Piauí não alfabetizou quem já não estava na idade certa.

O que esta redação cobra

Não é aceitável que o Estado com o maior analfabetismo do Brasil trate o tema como campanha de mobilização, com dia de matrícula, solenidade de formatura e fotografia de idoso segurando certificado, sem jamais apresentar à sociedade a conta completa: quantos foram matriculados, quantos desistiram, quantos foram efetivamente alfabetizados e quanto dinheiro público foi gasto em cada etapa.

Enquanto essa conta não for publicada, cada anúncio de meta é apenas um anúncio.

A Rádio Calçada cobra do governo do Estado do Piauí, e cobrará de quem vier depois dele, a divulgação anual, em dado aberto e auditável, da execução física e financeira das políticas de alfabetização de jovens e adultos.

E cobra que o Estado pare de comemorar a queda de um indicador que continua sendo o pior do país. Melhorar do último lugar para o último lugar não é resultado. É o tempo passando

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