Por Trabulo Neto e Trabulo Jr.
O desenvolvimento de um país, estado ou município é mensurado por inúmeros indicadores que retratam a realidade socioeconômica dessas unidades federativas: IDH, PIB per capita, IDEB, nível de alfabetização, diversificação econômica, percentual do PIB estadual em relação ao nacional e organização institucional, entre outros. Em retrospecto, o Piauí, de 2003 até o presente, mudou algo ou manteve sua dependência estrutural em relação à União?
Em que pese o marketing político e eleitoral das administrações dos governos do PT entre 2003 e 2026, a resposta é um “não” retumbante. O Piauí continua sendo um anão econômico: representa somente 0,7% do PIB nacional e possui taxa de analfabetismo de 13,8% (2ª posição no ranking nacional). Isto é, não possui economia própria nem educação capaz de conquistar medalhas em olimpíadas internacionais. Enquanto esses dois problemas estruturais permanecerem irresolvidos, nenhum projeto prosperará.
Sem investimentos externos e diante do crescente déficit orçamentário (LDO 2026), como produzir energia renovável (H2V), utilizar IA, produzir e exportar matérias-primas existentes em regiões com potencial de desenvolvimento ou fomentar o turismo sem rede hoteleira, infraestrutura rodoviária, aeroviária, hidroviária e portuária adequadas? Ademais, acrescente-se a ausência do principal recurso gerador de tudo: energia elétrica em quantidade suficiente até mesmo para o consumo domiciliar em diversas cidades.
Essencialmente, as ideias das administrações petistas podem ser resumidas assim: “há ideias boas e ideias novas. O problema é que as ideias boas não são novas, e as novas não são boas”. O restante é voluntarismo político e amadorismo administrativo. Projetos deslocados da realidade exibem deficiências de administradores tidos como eficientes, governos sem vínculos com o contexto social e incapazes de compreender as necessidades da população subdesenvolvida.
Sintetizando, prometeu-se a Finlândia e seu mundo institucional e de desenvolvimento avançado. A realidade dos municípios piauienses, porém, rejeitou o “projeto modernizador”, como quem dissesse: continuamos sendo Guaribas. Então, os administradores respondem: façam-se festas e estradas vicinais. Os “sábios” caçam votos; o povo tenta suprir a necessidade rudimentar da sobrevivência. Tristes trópicos estes!