O Censo 2022 deu ao Piauí um título que nenhuma cerimônia de inauguração menciona: é o estado com a maior proporção de gente vivendo sem banheiro, sem sanitário e sem sequer um buraco para dejeções — 164 mil pessoas, uma em cada sete de todos os brasileiros nessa condição. A Rádio Calçada reconstitui o quadro completo: quem são essas pessoas, o que a falta de esgoto custa em internações hospitalares, quem de fato está construindo banheiros no Piauí — spoiler: é Brasília —, o que promete a concessão bilionária da água, por que a meta de esgoto do contrato ficou sete anos além do referencial do Marco Legal, e o que o orçamento estadual escolheu priorizar enquanto isso.
Investigação e denúncias: Jornalistas Trabulo Neto 0002880/PI e Trabulo Júnior 0014965/DF
O que significa não ter banheiro
A definição do IBGE é fria e precisa: banheiro é o “cômodo com vaso sanitário e instalações para banho”. O Censo Demográfico 2022 perguntou a cada domicílio brasileiro se ele tinha ao menos isso — e, na falta do banheiro, se tinha ao menos um sanitário, e, na falta do sanitário, se tinha ao menos um buraco para dejeções.
No Piauí, 164 mil pessoas responderam que não têm nada disso. Nem cômodo, nem vaso, nem buraco. O próprio IBGE explicita a consequência: os números indicam a existência de defecação a céu aberto.
Fato: 5% da população piauiense vive nessa condição — a maior proporção entre todas as unidades da federação, à frente de Acre e Maranhão, ambos com 3,8%. No Brasil inteiro, 1,2 milhão de pessoas vivem sem qualquer instalação sanitária, o equivalente a 0,6% da população nacional.
Fato: pesquisadores da área alertam que o número real pode ser ainda maior. O professor Léo Heller, da Fundação Oswaldo Cruz e ex-relator especial da ONU para os direitos à água e ao saneamento, observou na divulgação do Censo que o dado pode estar subdimensionado, porque as pessoas têm vergonha de declarar que não têm banheiro — e que o indicador revela a ausência do Estado nas cidades muito pequenas e nas periferias.
Avaliação da redação: a aritmética da vergonha é simples. O Piauí abriga cerca de 1,6% da população brasileira — e cerca de 14% de todos os brasileiros sem banheiro. De cada sete pessoas no país condenadas à defecação a céu aberto, uma é piauiense. E, se Heller estiver certo, o retrato oficial ainda é generoso.
O avanço que não tirou o Piauí do último lugar
Em nome da precisão, registre-se o que melhorou. Fato: em 2010, o indicador piauiense era de 21% — 652 mil pessoas sem qualquer instalação sanitária. A queda para 5% em 2022 representa 16 pontos percentuais em doze anos: quase meio milhão de pessoas deixaram essa condição.
Fato: o avanço, porém, não alterou a posição do estado no ranking. O Piauí era o pior do Brasil e continua o pior do Brasil — porque os demais estados também avançaram. O coordenador técnico do Censo, Pedro Andrade, apontou onde o problema resiste: nos municípios pequenos e na zona rural, onde os serviços não chegam — perfil que descreve a maioria dos 224 municípios piauienses, muitos com menos de 10 mil e alguns com menos de 5 mil habitantes.
Avaliação da redação: o progresso é real e deve ser reconhecido — mas progresso acumulado em uma década que atravessa três governos diferentes não é troféu de nenhum deles. A pergunta que cabe ao governo atual é outra, e esta matéria a faz adiante: a que velocidade os últimos 164 mil serão alcançados, e com que dinheiro?
Quem são os sem-banheiro
Fato: a privação sanitária no Brasil tem cor, idade e endereço, e o Censo 2022 mediu os três. Do total de brasileiros sem banheiro, 73,7% se autodeclaram pardos e 10,6% pretos — somados, mais de oito em cada dez —, enquanto os brancos respondem por 13,8%. As faixas etárias mais jovens são as mais atingidas: entre crianças de 0 a 4 anos, a proporção sem canalização de água (3,4%) é quase o dobro da registrada entre idosos (1,9%). E o serviço rareia conforme o município encolhe: nos municípios de até 5 mil habitantes, menos de um terço da população tem coleta de esgoto.
Avaliação da redação: os 164 mil piauienses sem banheiro não estão distribuídos ao acaso. São majoritariamente crianças e famílias pardas e pretas da zona rural dos municípios pequenos — exatamente a população com menor capacidade de fazer barulho, de aparecer em pesquisa e de comparecer a cerimônia de inauguração. A invisibilidade política do problema é diretamente proporcional à invisibilidade de quem o sofre. Há ainda uma dimensão que a estatística não capta e que o superintendente da Codevasf no Piauí resumiu ao entregar banheiros secos no semiárido: antes, as famílias precisavam “seguir mata adentro” — uma questão de segurança e privacidade, sobretudo para as mulheres. Defecação a céu aberto não é só indicador sanitário: é exposição, risco e humilhação cotidiana com recorte de gênero.
O esgoto: menos da metade do estado, um quinto do campo
O banheiro é a face mais visível de um déficit maior. Fato: o esgotamento sanitário adequado — rede geral ou fossa séptica, nos critérios do Plano Nacional de Saneamento Básico — alcança 46,46% dos domicílios piauienses, segundo o Censo 2022. Na zona urbana, 58,12%. Na zona rural, 19,71% — menos de um em cada cinco domicílios. A média nacional é de 75,7%: o Piauí está quase trinta pontos abaixo.
Fato: dados mais recentes confirmam e agravam o quadro. A PNAD Contínua 2024, divulgada pelo IBGE em agosto de 2025, coloca o Piauí em último lugar entre todos os estados brasileiros em acesso à rede de esgotamento sanitário: cerca de 13% dos domicílios — contra mais de 90% em São Paulo, na outra ponta. O contraste foi destacado pelo próprio analista da pesquisa, William Kratochwill. Já pelo recorte urbano da PNAD 2023, o Piauí aparecia entre os quatro piores do país, com 23,3% dos domicílios urbanos conectados à rede, ao lado de Amapá, Rondônia e Pará. Levantamento do Instituto Trata Brasil divulgado em 2026, com base no SNIS, aponta 17,7% dos moradores com coleta — contra pouco mais de 40% em Teresina, onde a água já é universalizada. As metodologias do Censo, da PNAD e do SNIS diferem, mas convergem no essencial: o Piauí disputa o fundo do ranking nacional em todas elas, e o abismo entre a capital e o interior é a regra.
O preço em saúde: o 3º pior do Brasil em internações
Fato: a conta da falta de saneamento chega ao hospital. Levantamento do Instituto Trata Brasil a partir do SNIS e do DataSUS registrou no Piauí 29,64 internações por doenças de veiculação hídrica a cada 10 mil habitantes — o terceiro pior índice do país, atrás apenas de Maranhão e Pará. Na avaliação da presidente do instituto, Luana Pretto, são hospitalizações que poderiam ser evitadas: qualquer melhoria no acesso à água e ao esgoto se converte diretamente em ganho de saúde pública, e o não avanço perpetua doenças e mortes.
Avaliação da redação: cada real não investido em saneamento reaparece, com juros, na fatura da Sesapi e do SUS — em leitos ocupados por diarreias, verminoses e hepatites evitáveis, majoritariamente de crianças. Esta redação questiona abaixo, formalmente, o número e o custo dessas internações no Piauí, ano a ano. O Estado que contabiliza com precisão de centavos os metros de pista asfaltada deve a mesma precisão sobre quantas crianças internou por falta de esgoto.
Quem está construindo banheiro no Piauí é Brasília
Fato: a ação mais concreta e documentada de construção de banheiros para a população sem instalação sanitária no semiárido piauiense não é do Governo do Estado — é da Codevasf, empresa pública federal. Em 2024, a companhia instalou 233 módulos sanitários de desidratação, os chamados banheiros secos, em dez municípios (Aroeiras do Itaim, Belém do Piauí, Caridade do Piauí, Curral Novo, Flores do Piauí, Francisco Macedo, Jacobina, Santana do Piauí, São José do Piauí e Sussuapara), com investimento da ordem de R$ 3 milhões e critérios de priorização por IDH e déficit de banheiros rurais.
Fato: também é federal a maior carteira de obras hídricas em curso para o semiárido piauiense: o Novo PAC contempla sistemas de abastecimento em 16 municípios — a lista inclui Betânia do Piauí e Paulistana, da região das pistas recém-inauguradas —, a primeira etapa da Adutora Serra da Capivara e obras de esgotamento sanitário em seis municípios.
Fato: o Estado executa ações pontuais de saneamento rural — em Batalha, por exemplo, divulgou a implantação de 25 módulos sanitários na zona rural dentro de um pacote municipal de obras —, mas não publica nenhum número consolidado, estadual, de módulos sanitários construídos com recursos próprios, ano a ano.
Avaliação da redação: a matemática do ritmo é brutal. Os 164 mil piauienses sem instalação sanitária correspondem a algo em torno de 50 mil domicílios. No ritmo de 233 banheiros por ano — o da única iniciativa sistemática documentada, que é federal —, seriam necessários cerca de dois séculos para zerar o déficit. E o detalhe que resume esta série: os R$ 3 milhões que a Codevasf investiu para dar banheiro a 233 famílias são exatamente o valor que o Tesouro Estadual individualizou para a pista de pouso de Jaicós.
A resposta do Estado: a concessão, o case da ONU e o carro-pipa institucionalizado
Fato: a aposta central do Governo do Estado para o saneamento é a concessão. Desde 2024, os serviços de água e esgoto da Microrregião de Água e Esgoto (MRAE) estão concedidos à Águas do Piauí, do grupo Aegea, pelo Contrato nº 648/2024 — 35 anos e investimento anunciado de R$ 9,6 bilhões, abrangendo os 224 municípios. As metas divulgadas oficialmente: água potável para 99% da população até 2033 e cobertura de 90% em coleta e tratamento de esgoto até 2040.
Fato: o Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) fixa como referência geral a universalização até 31 de dezembro de 2033 — 99% de água e 90% de esgoto. A meta de esgoto do arranjo piauiense, 2040, está sete anos além desse referencial. A própria lei admite dilação de prazo em hipóteses específicas de inviabilidade técnica ou financeira; qual hipótese fundamenta os sete anos adicionais do Piauí, e com que demonstração técnica, é uma das perguntas formais desta matéria.
Fato: para a população rural dispersa — precisamente onde estão os sem-banheiro —, o desenho da concessão criou um Catálogo Integrado de Serviços com soluções alternativas: carro-pipa, cisternas, poços, módulos sanitários, fossas sépticas e sistemas descentralizados, sob um mandato de investimento operacional mínimo de R$ 20 milhões por ano. Em abril de 2026, o governo divulgou que esse modelo será apresentado como case em evento internacional da ONU, destacando a Operação Carro-Pipa da seca de 2025 — quando 126 dos 224 municípios piauienses decretaram calamidade —, com R$ 6,7 milhões aplicados para atender 43 mil pessoas em 48 municípios.
Avaliação da redação: há três leituras possíveis do case, e a honestidade exige as três. A primeira, favorável: incluir a população rural dispersa num contrato de concessão é, de fato, inédito no país, e responder à seca com regulação organizada é melhor do que responder com improviso. A segunda, aritmética: R$ 20 milhões por ano para todo o universo rural disperso do estado é menos de um quinto do que o Tesouro investiu, por ano, em pistas de pouso — e a Operação Carro-Pipa custou R$ 6,7 milhões para atender 43 mil pessoas num ano de calamidade, o que dá a medida de quão barato seria fazer muito mais. A terceira, conceitual, é a mais incômoda: o carro-pipa — que o Censo trata como precariedade a ser superada e que atinge 101.793 piauienses — foi incorporado ao contrato como “serviço” do catálogo. O que era falha virou produto. Celebrar na ONU a logística de distribuir água por caminhão, num estado que encontrou R$ 103 milhões para aeródromos, é confundir a gestão eficiente da carência com a superação da carência.
O que o orçamento escolheu enquanto isso
Fato: entre 2023 e 2026, o Governo do Estado declarou mais de R$ 103 milhões investidos, com recursos majoritariamente próprios do Tesouro, em construção e reforma de aeródromos e pistas de pouso — programa que esta redação mapeou integralmente na matéria “O Piauí que decola”, desta mesma série. O novo PRO Piauí, lançado como guarda-chuva dos investimentos até o fim de 2026, prevê R$ 10 bilhões públicos — R$ 8 bilhões via operações de crédito, ou seja, dívida —, num eixo de infraestrutura que mistura, na mesma rubrica de R$ 6 bilhões, aeródromos, adutoras, barragens e saneamento, sem detalhamento público de quanto cabe a cada um.
Avaliação da redação: orçamento é escolha, e escolha tem hierarquia documentada. O Estado publica, com precisão de centavos, o custo de cada pista de pouso — R$ 3.007.453,84 em Jaicós — e não publica um único número consolidado de banheiros construídos com recursos próprios. Destina, por contrato, R$ 20 milhões anuais ao rural disperso inteiro, e destinou mais de R$ 34 milhões anuais, em média, a aeródromos. Empurrou a meta de esgoto para 2040 e antecipou para antes das eleições a meta de 32 pistas. Não se afirma aqui que as pistas não devessem existir — afirma-se que um estado campeão nacional de defecação a céu aberto, campeão nacional de casas sem banheiro e terceiro pior do país em internações por doenças da água suja tem, nos seus próprios diários oficiais, a prova de que o dinheiro existia. A escolha de onde pousá-lo também.
Nota sobre as fontes e a vigência dos dados
Em transparência com o leitor: o número de 164 mil pessoas sem qualquer instalação sanitária vem do Censo Demográfico 2022 — a fonte censitária mais recente que existe, a única com dado casa a casa e município a município; o próximo retrato desse tipo só virá com o Censo 2030. Os dados de esgoto foram atualizados com a PNAD Contínua 2024, divulgada pelo IBGE em agosto de 2025, que é amostral (não desce ao município), e o quadro de água usa a PNAD Contínua 2025, divulgada em 2026 — a mesma edição que o próprio governo estadual utilizou em sua celebração de abril de 2026. Os dados de internações vêm de levantamento do Instituto Trata Brasil sobre SNIS e DataSUS publicado em 2026. Não existe, portanto, nenhuma fonte oficial mais recente que contradiga o quadro aqui descrito — ao contrário: a mais nova de todas, a PNAD 2024, rebaixou o Piauí ao último lugar do país em esgoto.
Contraditório
A reportagem encaminha os seguintes questionamentos e solicita resposta.
Ao Governo do Estado do Piauí, à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e à Agespisa (em liquidação):
- Qual o valor total investido pelo Estado, com recursos próprios, em módulos sanitários domiciliares, esgotamento sanitário e saneamento rural, ano a ano, de 2023 até julho de 2026, discriminado por município?
- Quantos módulos sanitários domiciliares foram construídos ou contratados pelo Estado, com recursos próprios, no mesmo período, e em quais municípios?
- Existe plano estadual, com metas anuais e dotação orçamentária definida, para eliminar a defecação a céu aberto e alcançar os 164 mil piauienses sem instalação sanitária apontados pelo Censo 2022? Em caso positivo, solicita-se cópia.
- Dentro do eixo de infraestrutura do PRO Piauí (R$ 6 bilhões), qual o valor especificamente destinado a esgotamento sanitário e módulos sanitários, e qual o valor destinado a aeródromos?
- Como o Estado justifica a ausência de divulgação consolidada dos investimentos em saneamento rural, em contraste com a divulgação detalhada, obra a obra, dos investimentos em pistas de pouso?
À MRAE, à Superintendência de Parcerias e Concessões (Suparc) e à Agrespi, reguladora do Contrato nº 648/2024:
- Qual a fundamentação legal e técnica para a meta de esgotamento sanitário do arranjo piauiense ser 2040, sete anos além do referencial de 2033 do Marco Legal do Saneamento? Solicita-se cópia do estudo de viabilidade que ampara a dilação.
- O Catálogo Integrado de Serviços prevê metas quantitativas anuais de módulos sanitários e fossas sépticas para a população rural dispersa? Quantos foram instalados desde o início do contrato, e onde?
- O mandato de investimento operacional mínimo de R$ 20 milhões por ano para o rural disperso foi integralmente executado em 2025? Solicita-se a prestação de contas discriminada, incluindo quanto foi destinado a carro-pipa e quanto a soluções permanentes.
- Quais os investimentos em esgotamento sanitário já executados pela concessionária desde o início do contrato, e qual o percentual de cumprimento das metas do primeiro ciclo, por município?
- Há cronograma contratual para que os municípios com maior déficit sanitário do estado — incluindo os de maior dependência de carro-pipa, como Marcolândia, Betânia do Piauí e Caldeirão Grande do Piauí — recebam soluções permanentes de água e esgoto? Solicita-se o detalhamento por município e ano.
À Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi):
- Quantas internações e óbitos por doenças de veiculação hídrica e por doenças associadas à ausência de esgotamento sanitário foram registrados no Piauí, ano a ano, de 2022 a 2026, discriminados por faixa etária e município, e qual o custo dessas internações para o SUS no estado?
Aos órgãos de controle
Esta redação solicita ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), ao Ministério Público de Contas (MPC-PI) e ao Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) que informem se já têm conhecimento dos fatos aqui documentados — em especial: a condição do Piauí como estado com maior proporção de população sem qualquer instalação sanitária do Brasil e terceiro pior em internações por doenças de veiculação hídrica; a ausência de plano estadual público, com metas e orçamento, para eliminar a defecação a céu aberto; a fixação da meta de esgotamento do Contrato nº 648/2024 em 2040, sete anos além do referencial do Marco Legal do Saneamento, e a fundamentação dessa dilação; a execução do mandato de investimento mínimo de R$ 20 milhões anuais para a população rural dispersa; e o contraste entre a precisão com que o Estado divulga seus investimentos em pistas de pouso e a ausência de qualquer consolidação pública dos investimentos próprios em saneamento rural — e quais medidas pretendem adotar, inclusive quanto à fiscalização da priorização orçamentária do Estado diante de direito tão elementar.
Esta redação registra ainda que o Portal da Transparência do Piauí segue impedindo a extração de relatórios pelos cidadãos, o que dificulta diretamente a verificação dos investimentos em saneamento aqui questionados, e que, até a presente data, não há notícia de providência dos órgãos de controle para normalizar o acesso.
A redação se coloca à disposição para publicar, na íntegra, as respostas de todos os órgãos questionados.
A Rádio Calçada é um veículo independente, financiado por leitores, que não aceita publicidade do governo estadual. Apoie este jornalismo: PIX 86.9.9991.9990.














