Ministério Público abre inquérito civil para apurar o atendimento obstétrico e a regulação depois que a mãe relatou a morte da filha, horas após o parto, em Teresina
Por Trabulo Neto
O Ministério Público do Piauí abriu inquérito civil para apurar o atendimento prestado a uma gestante no Hospital Regional de Campo Maior. A decisão está na Portaria nº 141/2026, que instaura o Inquérito Civil nº 011/2026 (SIMP nº 001201-435/2026), assinada pelo promotor de Justiça Avelar Fortes. O ato foi publicado nas páginas 15 e 16 do Diário Oficial Eletrônico do MPPI nº 2112, disponibilizado nesta segunda-feira (5).
O relato da mãe
O caso chegou ao MP por meio de atendimento ao público na própria Promotoria. Segundo a portaria, a mãe relatou que, depois do rompimento da bolsa, ficou aproximadamente um dia no Hospital Regional de Campo Maior aguardando transferência para Teresina, sem que o parto fosse feito ou que fossem adotadas as medidas de tratamento necessárias.
Ainda de acordo com o relato registrado pelo MP, a filha nasceu na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, e morreu poucas horas depois do nascimento. A mãe afirma que as circunstâncias do atendimento em Campo Maior teriam contribuído para a morte. A portaria não informa a data dos fatos.
O diário oficial identifica a mãe apenas pelas iniciais. A Rádio Calçada não divulga a identidade da família.
O que o MP vai apurar
A Promotoria quer esclarecer:
- como foi a assistência obstétrica oferecida à paciente e quais condutas médicas foram adotadas;
- quanto tempo ela permaneceu no hospital;
- quais providências foram tomadas para viabilizar a transferência para Teresina;
- em que condições ocorreram o nascimento e a morte da recém-nascida.
O MP também vai verificar se o hospital dispõe de recursos para atender urgências obstétricas e como funcionou a regulação. Regulação é o sistema que organiza as vagas e decide para onde e quando o paciente é transferido dentro da rede pública.
Para isso, a Promotoria vai requisitar informações e documentos aos órgãos e às unidades de saúde envolvidos.
O que ainda não se sabe
O MP afirma que os fatos narrados podem, em tese, revelar deficiência na prestação do serviço de saúde, seja no atendimento médico, seja na estrutura para urgências obstétricas, seja na regulação das transferências. A investigação está no início, e até aqui não há conclusão sobre falha ou sobre responsabilidade de qualquer profissional ou gestor.
É avaliação desta redação que o caso recoloca uma pergunta que vale para todo o interior do Piauí: o que um hospital regional consegue resolver sozinho numa emergência obstétrica e quanto tempo a paciente espera quando precisa ser levada para Teresina.
OUTRO LADO
A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas: a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI) e a direção do Hospital Regional de Campo Maior. As respostas serão publicadas na íntegra.
Contato: consultor@xconexoes.com.br
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