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outubro 10, 2026 16:46

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Quanto o piauiense paga a mais que quem mora em estado de ICMS de 17%?

Cinco estados cobram 17% de alíquota geral. No Piauí, são 22,5%. No preço final, a diferença deixa o mesmo produto cerca de 7% mais caro por aqui.

Jornalista Trabulo Neto

Um produto que custa R$ 1.000 numa loja do Piauí sairia por cerca de R$ 934 numa loja de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul ou de outro estado que cobra 17% de ICMS, se a única diferença entre os preços fosse o imposto. São R$ 66 a menos.

A diferença vem da alíquota geral do ICMS, o imposto estadual embutido no preço de quase tudo o que se compra. O Piauí cobra 22,5% desde 1º de abril de 2025. Os estados mais baratos do país cobram 17%.

Por causa da forma como o imposto é calculado, a diferença de 5,5 pontos percentuais vira, no preço final, um produto cerca de 7,1% mais caro no Piauí.

Quem cobra 17% e onde o Piauí está

Cada estado define a sua alíquota geral, que vale para os produtos sem regra específica, como eletrodomésticos, ferramentas e móveis. Em 2026, cinco estados mantêm a menor alíquota geral do país.

Estado Alíquota geral do ICMS
Maranhão 23%
Piauí 22,5%
Espírito Santo 17%
Mato Grosso 17%
Mato Grosso do Sul 17%
Rio Grande do Sul 17%
Santa Catarina 17%

O Piauí tem a segunda maior alíquota geral do Brasil, atrás apenas do Maranhão. O aumento de 21% para 22,5% foi aprovado pela Lei estadual 8.558/2024.

Por que 5,5 pontos viram 7,1% no preço

O ICMS é cobrado “por dentro”. O imposto entra na própria conta sobre a qual ele é calculado. Os 22,5% do Piauí são uma fatia do preço final, e não um acréscimo sobre o valor da mercadoria.

Quando se olha para o valor da mercadoria sem imposto, o peso cresce. A cada R$ 100 de mercadoria, o Piauí acrescenta cerca de R$ 29,03 de ICMS. Um estado de 17% acrescenta cerca de R$ 20,48. São R$ 8,55 a mais a cada R$ 100.

Com o mesmo preço antes do imposto, o produto no Piauí fica 7,1% mais caro do que num estado de 17%. Visto pelo outro lado, lá ele sai 6,6% mais barato do que aqui.

Na prática: quanto muda em cada compra

A tabela mostra quanto custaria num estado de 17% um produto com o mesmo preço antes do imposto, trocando apenas a alíquota.

Preço no Piauí (22,5%) Mesmo produto em estado de 17% Diferença
R$ 100,00 R$ 93,37 R$ 6,63
R$ 500,00 R$ 466,87 R$ 33,13
R$ 1.000,00 R$ 933,73 R$ 66,27
R$ 3.000,00 R$ 2.801,20 R$ 198,80
R$ 5.000,00 R$ 4.668,67 R$ 331,33

A simulação é simplificada. Ela deixa de fora outros tributos, frete, margem de lucro e alíquotas específicas de cada produto, que mudam o preço de loja para loja. É avaliação desta redação que, numa compra de R$ 5.000, a diferença passa a pesar no orçamento de uma família piauiense.

Quando essa diferença some

A economia só existe para quem compra no balcão de uma loja no outro estado. Na compra pela internet com entrega no Piauí, ela desaparece.

Nesse caso, o estado da loja fica com a alíquota interestadual, que para produtos nacionais é de 7% quando a venda sai de Santa Catarina ou do Rio Grande do Sul e de 12% quando sai do Espírito Santo, de Mato Grosso ou de Mato Grosso do Sul. Para importados, é de 4%. O Piauí cobra o restante até os 22,5%, o chamado diferencial de alíquota, ou Difal. A regra vale para o consumidor comum desde a Emenda Constitucional 87/2015, regulamentada pela Lei Complementar 190/2022.

Comprar como pessoa física não muda essa conta. Desde 2019, o Difal da venda para pessoa física vai inteiro para o estado onde mora o comprador. Quem recolhe é a loja, e o valor já vem embutido no preço. No fim, quem compra online de uma loja de Santa Catarina ou do Rio Grande do Sul paga praticamente o mesmo ICMS que pagaria comprando em Teresina.

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