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setembro 22, 2026 18:05

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Quem tem plano de saúde tem quase três vezes mais UTI. E quem depende do SUS?

No Brasil, a rede privada oferece 69,28 leitos de terapia intensiva para cada 100 mil beneficiários. Para os 152 milhões que só têm o SUS, são 24,87. No Piauí, onde a oferta total é a menor do país, a conta fica ainda mais apertada.

Por Trabulo Neto

O Brasil tem hoje mais leitos de UTI do que tinha há dez anos, mas eles não estão onde está a maior parte da população. O número de leitos de terapia intensiva no país passou de 47.846, em 2014, para 73.160, em 2024, um crescimento de 52%. A distribuição entre rede pública e rede privada é o ponto onde a desigualdade aparece.

Em 2024, 51,7% dos leitos de UTI do país, ou 37.820, eram operados pelo SUS. Os outros 48,3%, ou 35.340, estavam na saúde suplementar. Os números de leitos são parecidos. O tamanho das duas populações atendidas, não.

São 24,87 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes que dependem do SUS, um universo de 152 milhões de pessoas, contra 69,28 leitos para cada 100 mil beneficiários de planos de saúde, que somam 51 milhões. Em outras palavras, quem paga plano tem à disposição quase três vezes mais leitos de terapia intensiva do que quem depende do sistema público.

O que isso significa no Piauí

O Piauí é o estado com a menor oferta total de UTI do país. São 20,95 leitos por 100 mil habitantes, no extremo oposto do Distrito Federal, que tem 76,68, enquanto a média nacional é de 36,06. Esse número junta rede pública e rede privada. Jornal de Brasília

Num estado onde a rede privada é pequena e a maior parte da população depende exclusivamente do SUS, a média já baixa esconde uma realidade mais dura: o leito de plano de saúde que puxa a média nacional para cima praticamente não existe aqui para quem precisa dele.

Os dados são do censo A Medicina Intensiva no Brasil, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), com informações de 2024.

O parâmetro internacional

A AMIB usa uma régua externa para avaliar o país. A média mundial de leitos de UTI, considerando 87 países com dados disponíveis, é de 8,7 por 100 mil habitantes, e a Organização Mundial da Saúde aponta a faixa de 10 a 30 leitos por 100 mil como referência a ser perseguida. Amib

Pela régua da OMS, o Piauí está dentro da faixa, perto do piso dela. O problema é que a faixa se aplica ao conjunto da população, e no Piauí a oferta que existe precisa atender quase todo mundo pelo SUS.

A própria AMIB avalia que uma taxa nacional relativamente alta não significa acesso igual, e que essas desigualdades afetam diretamente a chance de sobrevivência do paciente dentro do sistema.

A conta para o paciente

Leito de UTI é a última barreira entre um problema grave de saúde e a morte evitável. Quando falta, o paciente espera na urgência, na enfermaria ou na ambulância, enquanto a regulação estadual procura uma vaga, quase sempre em outra cidade.

A pergunta que fica para o poder público é simples: quantos dos leitos de UTI existentes no Piauí estão disponíveis para o SUS e quantos são da rede privada?

OUTRO LADO

A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas: Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI) e Governo do Estado do Piauí. As respostas serão publicadas na íntegra. Contato: consultor@xconexoes.com.br.

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