No Piauí, existe uma pergunta que precisa ser feita.
A verdade tem preço?
E, quando falamos de veículos de comunicação que recebem verba publicitária do Governo Rafael Fonteles, a pergunta ganha ainda mais importância.
Não se trata de ser contra ou a favor do governo.
Trata-se de saber se o dinheiro público destinado à publicidade pode influenciar a forma como a realidade do Estado é apresentada ao cidadão.
Porque jornalismo não existe para agradar governante.
Existe para informar.
E informar também significa mostrar aquilo que o governo não gostaria de ver estampado nos jornais, nos portais, nas rádios, nas televisões e nas redes sociais.
Se há avanços, que sejam mostrados.
Se há problemas, que sejam denunciados.
Se há dúvidas, que sejam investigadas.
Se há números, que sejam conferidos.
E se há dinheiro público envolvido, que exista fiscalização.
O cidadão não pode receber apenas a versão bonita da propaganda.
Ele precisa conhecer a realidade.
A realidade de quem espera por uma cirurgia.
De quem enfrenta problemas de segurança.
De quem cobra uma estrada.
De quem procura emprego.
De quem precisa de um serviço público que funcione.
É aí que aparece a verdadeira função do jornalismo: questionar o poder.
E questionar o poder exige independência.
Publicidade institucional é legítima. Veículos de comunicação precisam sobreviver. Empresas precisam pagar funcionários, equipamentos, estrutura e produção.
Mas existe uma diferença fundamental entre receber publicidade e perder a liberdade editorial.
O dinheiro público não pode comprar silêncio.
Não pode comprar elogio.
Não pode determinar aquilo que será publicado ou aquilo que será escondido.
Porque, se isso acontecer, quem perde não é apenas o jornalista.
Quem perde é o cidadão.
A Rádio Calçada acredita que o Piauí precisa de jornalismo que tenha coragem de mostrar a realidade, mesmo quando essa realidade incomoda quem está no poder.
Porque governo passa.
Governador passa.
Contrato passa.
Publicidade passa.
Mas a verdade permanece.
Por isso, a pergunta continua:
A verdade tem preço?
Para nós, não.
A verdade não está à venda.














