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agosto 30, 2026 19:38

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EDITORIAL: O SILÊNCIO DOS POLÍTICOS DIANTE DO FRACASSO DO PORTO DE LUÍS CORREIA

O que falta é uma prestação de contas capaz de mostrar, em números, até onde essa operação chegou.

Por Trabulo Neto — Jornalista 0002880/PI

Há momentos em que a história de um Estado cabe em uma fotografia.

Um navio atracado.

Um governador no cais.

Bandeiras.

Câmeras.

Discursos.

E uma promessa de futuro.

Mas infraestrutura não se mede pela fotografia.

Mede-se pelo que acontece depois que as câmeras vão embora.

É por isso que, dois meses depois da primeira atracação de um navio de carga no Porto Piauí, em Luís Correia, a pergunta mais importante já não é se o porto existe.

Ele existe.

A pergunta é outra:

Cadê a exportação?

A LINHA DO TEMPO

29 de junho de 2026.

O graneleiro Konta II atracou no Berço 401 do Porto Piauí. A Companhia Porto Piauí classificou a operação como o primeiro embarque de minério destinado à exportação pelo Estado. A previsão anunciada era movimentar mais de 110 mil toneladas utilizando o sistema de transbordo em alto-mar, conhecido como transhipment.

A CONTA QUE PRECISA SER MOSTRADA

A carga inaugural anunciada ultrapassa 110 mil toneladas.

A primeira viagem do Konta II levou 9 mil toneladas.

Isso representa aproximadamente 8,2% de uma carga de 110 mil toneladas.

É uma conta simples.

E ela produz uma pergunta igualmente simples:

o que aconteceu com os outros 101 mil toneladas?

Trata-se de exigir que a Companhia Porto Piauí informe publicamente quanto já foi movimentado.

Essa diferença é fundamental.

Jornalismo não deve preencher lacunas com suposições.

Deve exigir documentos e números para preenchê-las.

O QUE FOI ANUNCIADO DEPOIS

A operação foi apresentada como um sistema contínuo.

Navios menores fariam o percurso entre o terminal e a área de transbordo. A carga seria transferida para uma embarcação oceânica, que seguiria posteriormente para o mercado internacional.

É um modelo que depende de uma sequência de etapas.

Se uma etapa para, toda a cadeia sente.

Por isso, o indicador mais importante agora não é a quantidade de fotografias produzidas pela operação.

É a produtividade.

Quantas toneladas por hora?

Quantas toneladas por dia?

Quantas viagens?

Quantos transbordos?

Quanto tempo entre uma viagem e outra?

Qual a tonelagem acumulada no navio oceânico?

Qual a previsão real de conclusão?

Sem esses números, a sociedade não consegue medir o desempenho do terminal.

O NAVIO É APENAS O COMEÇO

Existe uma tentação na política brasileira de transformar inauguração em resultado.

Mas inauguração é evento.

Operação é processo.

Resultado é número.

Quanto mais dinheiro público, patrimônio público e expectativa econômica estão envolvidos, maior deve ser a transparência.

Não basta dizer que está funcionando.

É preciso demonstrar.

NÃO É UMA CRÍTICA AO PORTO

É importante deixar isso absolutamente claro.

Questionar a velocidade de uma operação não significa ser contra o porto.

Questionar custos não significa ser contra a exportação.

Questionar contratos não significa ser contra o desenvolvimento.

Ao contrário.

Um projeto dessa dimensão precisa ser acompanhado por números justamente porque seu funcionamento interessa ao Estado inteiro.

Se a operação está avançando bem, os números mostrarão isso.

Se está abaixo do planejado, os números também mostrarão.

Em ambos os casos, a transparência fortalece o projeto.

A PERGUNTA QUE PERMANECE

A Companhia Porto Piauí informou que o primeiro carregamento comercial saiu em 5 de agosto.

O que a sociedade precisa saber agora é o que aconteceu depois.

Quantas toneladas foram efetivamente transferidas?

Quantos ciclos foram concluídos?

Qual navio recebeu a carga?

Qual é a tonelagem acumulada?

Qual é o cronograma para completar a carga?

Qual foi o custo da operação?

Houve pagamento de sobrestadia?

Quanto foi gasto com rebocadores, apoio marítimo, praticagem e outros serviços?

Quais empresas foram contratadas?

Quais foram os valores?

Essas não são perguntas políticas.

São perguntas operacionais.

E deveriam ter respostas técnicas.

O SILÊNCIO SOBRE OS NÚMEROS

O problema não é existir dificuldade operacional.

Operações marítimas envolvem clima, maré, equipamentos, logística, segurança, navegação e uma cadeia de empresas.

Problemas podem acontecer.

A questão jornalística é outra:

quando acontece um problema, existe transparência suficiente para saber exatamente o que aconteceu?

É isso que ainda precisa ser demonstrado.

A sociedade não precisa receber uma narrativa pronta.

Precisa receber os dados.

O OUTRO LADO

A Rádio Calçada solicita manifestação da Companhia Porto Piauí, do Governo do Estado do Piauí, da Investe Piauí e da Lion Mining sobre os questionamentos apresentados neste editorial.

As respostas serão publicadas na íntegra.

Contato: consultor@xconexoes.com.br

Agora falta uma coisa essencial:

mostrar os números.

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