Estado fechou 2025 com a mesma taxa que tinha em 2013 e com mais mortes em números absolutos, enquanto o país inteiro caiu quase um terço
Jornalista Trabulo Neto (registro 0002880/PI)
O Piauí registrou 579 mortes violentas intencionais em 2025. Em 2013, foram 551. São 28 mortes a mais, doze anos depois.
No mesmo período, o Brasil saiu de 55.844 mortes violentas intencionais para 40.775.
Os dados constam do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho de 2026, com registros de 2025 fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança pública.
A taxa é idêntica
Comparar número absoluto entre anos diferentes tem um limite, porque a população cresce. Por isso o Anuário publica também a taxa por 100 mil habitantes, que é a forma correta de comparar períodos.
E aqui o dado é ainda mais direto. Em 2013, a taxa do Piauí foi de 17,1 mortes violentas por 100 mil habitantes. Em 2025, a taxa do Piauí foi de 17,1.
Exatamente a mesma.
No Brasil, a taxa caiu de 28,0 para 19,1 no mesmo intervalo. É uma redução de quase 32%.
Traduzindo: o país reduziu quase um terço da sua violência letal em doze anos. O Piauí não reduziu nada.
O problema é a década perdida
O percurso do Piauí, em número de mortes violentas intencionais, segundo a Tabela 02 do Anuário: 529 em 2012, 551 em 2013, 734 em 2014, 673 em 2015, 703 em 2016, 653 em 2017, 621 em 2018, 587 em 2019, 707 em 2020, 780 em 2021, 828 em 2022, 737 em 2023, 685 em 2024 e 579 em 2025.
O ponto mais alto foi 2022, com 828 mortes e taxa de 24,7. De lá para cá houve queda em todos os anos, e a queda foi real.
Mas o estado subiu forte a partir de 2014 e ainda está gastando os últimos três anos apenas para desfazer o que perdeu. Chegou em 2025 no ponto de onde partiu.
É avaliação desta redação que essa é a leitura que falta no debate público piauiense. Enquanto o governo apresenta a queda anual, e a queda existe, o estado inteiro passou doze anos sem avançar um passo em relação ao patamar que já tinha. O Piauí é o estado do Nordeste que menos conseguiu recuperar o que perdeu no período.
Onde o Piauí vai bem e a maioria vai mal
A categoria mortes violentas intencionais soma homicídios dolosos, incluindo feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes causadas por policiais.
No Piauí, em 2025, foram 526 homicídios dolosos, taxa de 15,5 por 100 mil habitantes, redução de 16,2% em relação a 2024. Foram 15 vítimas de latrocínio, 9 vítimas de lesão corporal seguida de morte e 29 mortes decorrentes de intervenção policial.
Esse último número merece registro, porque corre em sentido contrário à tendência nacional. O Brasil bateu em 2025 o recorde da série histórica em letalidade policial, com 6.602 mortes decorrentes de intervenção policial, crescimento de 5,4%. Uma em cada seis mortes violentas do país foi causada por policiais civis e militares, o equivalente a 16,2% do total.
No Piauí, as 29 mortes por intervenção policial equivalem a cerca de 5% das mortes violentas registradas no estado, proporção bem abaixo da nacional. E o número caiu, de 30 em 2024 para 29 em 2025.
Policiais mortos
O Anuário registra ainda que o Piauí teve 2 policiais civis e militares mortos em confronto ou por lesão não natural em 2025, contra 4 em 2024. E registrou 1 suicídio de policial da ativa em 2025, contra 4 em 2024.
O estudo aponta que, no plano nacional, o suicídio permanece como a principal causa de morte entre policiais civis e militares, e que o maior risco de morte violenta está associado às ocorrências durante a folga, e não ao confronto em serviço.
Nota sobre os números
Todos os dados desta matéria vêm das Tabelas 01, 02, 03, 04, 05, 06 e 07 do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A fonte primária são as secretarias estaduais de segurança pública, e o cálculo das taxas usa as estimativas populacionais do IBGE com referência em 1º de julho de cada ano.
A Rádio Calçada optou por ancorar a comparação em 2013, e não em 2012, porque a categoria mortes violentas intencionais só passou a ser calculada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir de 2013. O número de 2012 foi calculado retroativamente pela entidade e, por isso, não é usado aqui como base de comparação.
OUTRO LADO
A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas.
Foram procuradas a Secretaria de Segurança Pública do Piauí e o Governo do Estado do Piauí, para que se manifestem sobre o fato de o estado ter fechado 2025 com a mesma taxa de mortes violentas intencionais de 2013, sobre as razões pelas quais o Piauí não acompanhou a redução nacional no período e sobre as políticas em curso de prevenção à violência letal.
As respostas serão publicadas na íntegra, sem cortes e sem edição.
Contato para manifestações: consultor@xconexoes.com.br
FISCALIZAÇÃO
A Rádio Calçada solicita ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí e ao Ministério Público de Contas do Piauí informação sobre auditorias relativas à execução dos recursos da função Segurança Pública no orçamento estadual.
FONTE
Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026”. São Paulo: FBSP, 2026. ISSN 1983-7364. Dados de 2024 e 2025 e série histórica 2012-2025. Tabelas 01, 02, 03, 04, 05, 06 e 07. Disponível em publicacoes.forumseguranca.org.br/handle/fbsp/305
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