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agosto 30, 2026 18:55

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Teresina está entre as dez cidades do Brasil com maior taxa de roubo e furto de celular

Capital piauiense aparece em décimo lugar no ranking nacional, com 975,3 aparelhos subtraídos para cada 100 mil habitantes, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Jornalista Trabulo Neto (registro 0002880/PI)

Teresina figura entre as dez cidades brasileiras com as maiores taxas de roubo e furto de celular. O dado consta do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho de 2026, com registros policiais de 2025.

A capital piauiense ocupa a décima posição nacional, com 975,3 aparelhos subtraídos para cada 100 mil habitantes. O levantamento considera apenas municípios com população igual ou superior a 100 mil habitantes.

O ranking nacional

Posição Município UF Taxa por 100 mil habitantes
São Luís MA 1.517,0
Belém PA 1.487,0
São Paulo SP 1.390,5
Salvador BA 1.195,0
Lauro de Freitas BA 1.144,5
Porto Velho RO 1.123,2
Manaus AM 1.107,1
Olinda PE 1.060,3
Ananindeua PA 979,5
10º Teresina PI 975,3

Teresina aparece ao lado de capitais e regiões metropolitanas muito maiores. Está atrás de Ananindeua por menos de cinco pontos na taxa.

O que o número quer dizer na prática

Taxa por 100 mil habitantes é a forma de comparar cidades de tamanhos diferentes. O número de Teresina significa que, para cada grupo de 100 mil moradores, foram registrados 975 celulares levados em 2025, entre roubos e furtos.

A diferença entre os dois crimes importa para entender o problema. Roubo é quando há violência ou ameaça contra a vítima, o assalto propriamente dito. Furto é quando o aparelho é levado sem que a vítima perceba, como acontece em aglomerações, ônibus, feiras e eventos. O Anuário registra que, no país, os furtos passaram a superar os roubos, o que indica mudança na forma de agir dos criminosos.

Em todo o Brasil foram 830.890 aparelhos subtraídos em 2025, o equivalente a 95 celulares por hora.

Por que o celular virou alvo central

O Anuário conecta a subtração de celulares a outro fenômeno. Os estelionatos se consolidaram como o principal crime patrimonial do país, com 2.261.055 registros em 2025, crescimento de 429,8% desde 2018, o equivalente a 258 golpes por hora.

O estudo afirma que existe conexão entre a subtração de celulares e as fraudes digitais. Em outras palavras, o aparelho deixou de valer apenas pelo preço de revenda e passou a valer pelo que existe dentro dele: aplicativos de banco, contatos, conversas e acesso a contas.

É avaliação desta redação que esse é o ponto que a política de segurança do Piauí ainda não respondeu publicamente. Não existe, até esta publicação, indicador divulgado pelo Estado sobre recuperação de aparelhos subtraídos, nem sobre elucidação dos casos, nem sobre integração das delegacias de Teresina com as plataformas federais de bloqueio de aparelhos.

A conexão com o efetivo policial

O dado de Teresina se soma a outro levantamento do mesmo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, publicado em agosto de 2026. Segundo esse estudo, a Polícia Civil do Piauí, responsável pela investigação criminal, operava em março de 2025 com 1.636 policiais para 3.300 vagas previstas em lei, o equivalente a 49,6% do efetivo autorizado.

Roubo e furto de celular são crimes de investigação, não de policiamento ostensivo. A apuração depende de delegacia, de escrivão, de investigador e de perícia.

OUTRO LADO

A Rádio Calçada solicita manifestação das partes envolvidas.

Solicitamos  a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, a Polícia Civil do Piauí e a Prefeitura Municipal de Teresina, para que se manifestem sobre a posição de Teresina no ranking nacional, sobre o número de aparelhos recuperados em 2025, sobre a taxa de elucidação desses registros e sobre eventuais ações específicas de enfrentamento a esse tipo de crime na capital.

As respostas serão publicadas na íntegra, sem cortes e sem edição.

Contato para manifestações: consultor@xconexoes.com.br

FISCALIZAÇÃO

A Rádio Calçada solicita ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí e ao Ministério Público de Contas do Piauí informação sobre auditorias relativas aos investimentos em investigação criminal e em tecnologia de segurança pública no Estado.

FONTES

Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026”. São Paulo: FBSP, 2026. ISSN 1983-7364. Dados de registros policiais de 2025. Infográfico “Segurança em números 2026”, Tabelas 12 e 13 e Quadro 03. Disponível em publicacoes.forumseguranca.org.br/handle/fbsp/305

Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil”, 2ª edição, São Paulo, 2026. Tabela 4.


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